A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou novas estimativas que apontam para uma queda na produção de carne bovina no Brasil nos próximos anos. Segundo o relatório de perspectivas para a agropecuária na safra 2026/27, a produção deve recuar 0,8% em 2026, totalizando 11,84 milhões de toneladas, ante 11,93 milhões em 2025. Para 2027, a redução deve ser mais acentuada, de 4,1%, chegando a 11,413 milhões de toneladas.
De acordo com a Conab, os dados indicam o início da reversão do ciclo pecuário, com diminuição da oferta de animais prontos para abate. No entanto, essa reversão está ocorrendo de forma mais gradual do que o inicialmente projetado. “O abate permaneceu acima do observado no ano anterior durante o primeiro semestre, sustentado pela disponibilidade de fêmeas, pelo aumento do peso médio das carcaças e pela maior utilização do confinamento”, destacou a estatal. “A esperada retração da produção ainda não se manifestou de forma intensa.”
Apesar da queda na produção, as exportações de carne bovina devem crescer 4,46% em 2026, para 4,73 milhões de toneladas, ante 4,53 milhões em 2025. Esse avanço ocorre mesmo com o esgotamento da cota chinesa, o embargo europeu relacionado ao uso de antimicrobianos e a tarifação dos Estados Unidos. A Conab ressaltou que, apesar do fim da cota chinesa, não foi observada formação de excedente capaz de derrubar os preços internos, devido aos elevados valores internacionais e à demanda de mercados alternativos.
No mercado doméstico, o consumo de carne bovina permanece moderado e concentrado em cortes de menor valor. A carne perdeu competitividade frente ao frango e à carne suína, especialmente entre consumidores de menor renda. Isso limita o repasse integral da valorização da arroba ao varejo, mas a perspectiva de menor oferta mantém viés de sustentação para os preços.
Para 2027, a Conab projeta um recuo mais acentuado, reflexo da menor disponibilidade de animais para abate, maior retenção de fêmeas e recomposição de rebanhos. As exportações devem crescer em menor ritmo, 2,2%, para 4,83 milhões de toneladas. “Caso o abate de fêmeas permaneça elevado, a mudança do ciclo poderá ser adiada; se a retenção se consolidar, a redução da oferta tende a se tornar mais evidente em 2027”, concluiu a Conab.