A escalada das tensões militares entre Rússia e Ucrânia voltou a impulsionar os preços do trigo na bolsa de Chicago, que atingiram o maior patamar desde julho de 2023. Na sessão desta quinta-feira (27/8), os contratos com vencimento em dezembro avançaram 1,67%, fechando a US$ 7,6075 o bushel, segundo dados do Valor Data.
De acordo com analistas, o mercado percebe que não há uma solução clara para o fim do conflito no curto prazo, o que limita a oferta global do cereal. Rússia e Ucrânia estão entre os maiores exportadores mundiais de trigo — a Rússia lidera o ranking global, enquanto a Ucrânia ocupa a quarta posição. Os recentes ataques a infraestruturas portuárias reduziram drasticamente o volume de exportação de ambos os países.
Jonathan Pinheiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, afirma que, apesar de os estoques mundiais de trigo serem amplos, a participação significativa dos dois países no mercado global torna o cenário de oferta mais restrito. “O mercado está percebendo que não há solução clara para o fim do conflito. Pelo contrário, a percepção é de que ele pode até se agravar”, destaca.
Pinheiro acredita que os números de exportação do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) poderão ser revistos para os países em guerra. No relatório mensal de oferta e demanda, o USDA estimou exportações de 46 milhões de toneladas para a Rússia na safra 2026/27, contra 47,50 milhões projetadas em julho. Para a Ucrânia, a expectativa caiu 1 milhão de toneladas, para 13,50 milhões.
Embora as exportações de trigo ainda não estejam totalmente paralisadas, a capacidade de abastecimento global diminuiu consideravelmente. A Ucrânia tem utilizado rotas alternativas, como o porto do Danúbio e ferrovias, mas essas vias não conseguem manter o ritmo normal de embarques. “Ainda que tivéssemos uma solução amanhã sobre a guerra, o país ainda sofreria para retomar suas operações logísticas, pois está com 30% da sua capacidade portuária prejudicada”, ressalta Pinheiro.
No mesmo dia, o milho encerrou em baixa de 0,56%, a US$ 5,3350 o bushel, após seis altas consecutivas que levaram as cotações ao maior patamar em quase três anos. Já a soja apresentou leve alta de 0,16% nos contratos para novembro, a US$ 12,68 o bushel.