CPR impulsiona crédito rural: desembolsos atingem R$ 18,8 bilhões em julho

O Ministério da Agricultura divulgou que, em julho — primeiro mês do Plano Safra 2026/27 —, médios e grandes produtores contrataram R$ 18,8 bilhões em financiamentos por meio das Cédulas de Produto Rural (CPR). Esse montante representa 66,6% do total de R$ 28,2 bilhões acessados pela agricultura empresarial no período.

Os dados, publicados nesta segunda-feira (10/8), consideram operações do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e dos demais produtores, com base no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor) do Banco Central e das registradoras de títulos. Não estão incluídas as liberações para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Devido ao período de defeso eleitoral, o levantamento não faz comparações com safras ou períodos anteriores. No entanto, dados do próprio Ministério mostram que o valor total de R$ 28,2 bilhões em julho de 2026, incluindo CPRs, representa uma queda de 28,6% em relação aos R$ 39,5 bilhões do primeiro mês da safra 2025/26. Em julho de 2025, a contratação de CPRs havia sido de R$ 17,5 bilhões e o crédito rural, R$ 21,9 bilhões para médios e grandes produtores.

No primeiro mês da safra 2026/27, apenas R$ 1,3 bilhão dos R$ 97,6 bilhões em recursos equalizáveis programados foram concedidos, atraso atribuído à demora na publicação da portaria que autoriza o pagamento da equalização. Desse valor, R$ 1,1 bilhão foi destinado a linhas equalizáveis de custeio. O Banco do Brasil concentrou quase 69% das concessões, seguido por Cresol (11%), Sicredi (10%) e Credicoamo (8,9%).

Em programas de investimento com equalização, foram contratados R$ 118 milhões: R$ 56,1 milhões pelo RenovAgro, R$ 20,7 milhões pelo Pronamp e R$ 17,6 milhões pelo Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA). Cerca de 87% dessas operações foram feitas no BB e 12,8% no Sicredi.

O custeio convencional somou R$ 6,5 bilhões (23% das contratações), sendo R$ 3,5 bilhões para o Pronamp e R$ 3 bilhões para grandes produtores pelas linhas tradicionais do Plano Safra. As operações de comercialização da produção agropecuária totalizaram R$ 1,5 bilhão, e a industrialização — processamento e agregação de valor — registrou R$ 891 milhões. Já os programas de investimento (máquinas, equipamentos, irrigação, modernização) somaram apenas R$ 118,1 milhões.

No Pronamp, foram registrados R$ 3,5 bilhões em operações (12,4% do total), enquanto os demais produtores contrataram R$ 5,9 bilhões (21% do total). Ao todo, foram realizados 26.034 contratos de crédito rural pela agricultura empresarial em julho, sendo 12.940 operações de CPR.

Entre as fontes controladas, os recursos obrigatórios (depósitos à vista) responderam por R$ 3,9 bilhões (69,8% do total desembolsado). Nas fontes não controladas, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) com juros livres foram a principal captação privada, com R$ 3,4 bilhões destinados ao crédito rural.

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