Os desembolsos do crédito rural na safra 2025/26, encerrada na semana passada, registraram queda de 12% em comparação com a temporada anterior, totalizando R$ 338,9 bilhões. É a segunda safra consecutiva de retração, segundo dados do Banco Central. O recuo reflete o aumento do endividamento dos produtores e a maior aversão ao risco por parte das instituições financeiras diante de problemas climáticos e financeiros no campo.
As linhas de custeio tiveram redução de 13%, investimentos caíram 17% e comercialização recuou 25%. Apenas a industrialização registrou expansão, com alta de 54%. A queda concentrou-se nos financiamentos a grandes produtores, que acessaram R$ 210,1 bilhões — 19% a menos que no ciclo anterior. Esse público tem recorrido cada vez mais à emissão de Cédulas de Produto Rural (CPRs), que até maio somavam R$ 185,1 bilhões.
Por outro lado, os programas voltados à agricultura familiar e aos médios produtores tiveram ligeiras altas. O Pronaf liberou R$ 67,4 bilhões (+3%) e o Pronamp, R$ 61,4 bilhões (+5%). Do total, R$ 181,3 bilhões foram para custeio, R$ 84,9 bilhões para investimentos, R$ 37,8 bilhões para comercialização e R$ 34,9 bilhões para industrialização. Cerca de R$ 47 bilhões foram destinados à renegociação de dívidas rurais, autorizada pela Medida Provisória 1.314/2025.
O montante total da safra 2025/26 é quase 20% inferior ao do ciclo 2023/24, quando foram emprestados R$ 421,8 bilhões. Dados do BC mostram queda na participação dos bancos públicos (-29%) e privados (-25%) e aumento da fatia das cooperativas financeiras (+15%).
Especialistas apontam que o Plano Safra não reflete a real disponibilidade de crédito, pois inclui CPRs, que não são linhas de empréstimo tradicionais. Para a safra 2026/27, o Ministério da Agricultura incluiu R$ 38,5 bilhões de programas independentes. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alerta que a restrição financeira pode levar a redução de área plantada e adoção de pacotes tecnológicos mais conservadores.