O custeio da soja e do milho para a safra 2026/27 em Mato Grosso registrou alta em julho de 2026, segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Apesar do avanço, a soja ainda apresenta margem positiva, enquanto o milho enfrenta um cenário mais apertado.
Soja: custos sobem, mas preço cobre operação
O custeio da soja foi estimado em cerca de R$ 4,3 mil por hectare, alta de 3,39% em relação à safra anterior. O principal motor do aumento foi a valorização dos fertilizantes, que atingiram R$ 1,9 mil por hectare — os macronutrientes representaram aproximadamente R$ 1,6 mil/ha, maior valor projetado para o ciclo. O Imea atribui a pressão às tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia, que elevam os riscos de oferta e logística desses insumos.
Com produtividade estimada em 62,44 sacas por hectare, o ponto de equilíbrio (PE) do custo operacional total (COT) — que inclui mão de obra familiar e depreciação — ficou em R$ 107,02 por saca. O COT total foi calculado em R$ 6,7 mil/ha. Em julho, o preço médio negociado para a safra 2026/27 foi de R$ 111,17 por saca, R$ 4,15 acima do PE. Assim, o produtor ainda opera com margem positiva.
Milho: custos sobem menos, mas margem encolhe
O custeio do milho subiu 0,30% em julho, para aproximadamente R$ 3,8 mil por hectare. A alta foi puxada pelo aumento de 1,14% nos fertilizantes e corretivos (R$ 1,5 mil/ha). Em contrapartida, os defensivos caíram 0,10% (R$ 912,09/ha) e as sementes recuaram 0,51% (R$ 844,46/ha).
O custo operacional efetivo (COE) — gastos diretamente ligados à produção — avançou 0,20%, para R$ 5,5 mil/ha, enquanto o COT subiu 0,17%, para R$ 6,1 mil/ha. Considerando a produtividade média das três últimas safras (123,83 sacas/ha), o COE por saca foi de R$ 44,45 e o COT de R$ 49,00. O preço médio negociado em julho foi de R$ 46,12 por saca, suficiente para cobrir o COE, mas R$ 2,89 abaixo do COT.
Segundo o Imea, embora o preço do milho tenha avançado 4,67% em relação à safra anterior, o ritmo ficou abaixo do aumento de 13,83% no custeio. Esse descompasso limita a recuperação das margens e mantém um cenário mais apertado para o produtor.