De área abandonada a referência em leite: os segredos da Fazenda Sertãozinho

Em 2005, o engenheiro agrônomo Andres Rojas, filho de espanhóis, decidiu transformar uma propriedade rural abandonada em Virgínia, sul de Minas Gerais, em um modelo de excelência na pecuária leiteira. Com uma carreira consolidada no mundo corporativo, ele aplicou na Fazenda Sertãozinho os princípios de gestão, tecnologia e bem-estar animal que aprendeu ao longo dos anos. Hoje, as 145 vacas holandesas em lactação produzem 6.000 litros de leite por dia — uma média de 12.000 litros por animal ao ano, muito acima da média nacional de 2.400 litros (IBGE).

O segredo do sucesso, segundo Rojas, está no olhar da porteira para dentro. “Nessa atividade, só sobrevive quem é eficiente. E, para isso, é preciso adotar uma cultura voltada a vários aspectos da rotina da fazenda”, afirma. O processo de gestão inclui metas claras, indicadores de desempenho e adoção de tecnologia de ponta. A fazenda obteve 100% de desempenho em boas práticas nos pilares avaliados pela startup ESGpec, como cuidados com os animais, segurança do produto, mitigação de gases de efeito estufa e economia rural.

A genética é um dos pilares da alta produtividade. A genotipagem do rebanho, com DNA mapeado nos Estados Unidos, permite cruzamentos de alta precisão por fertilização in vitro e transferência de embriões. As vacas em lactação são mantidas no sistema free stall, com baias individuais, enquanto os animais de recria ficam em compost barn. A ordenha é mecanizada e realizada três vezes ao dia. Outro diferencial é a criação de bezerras, que conta com estratégias de enriquecimento ambiental — brinquedos e objetos que reduzem o estresse e promovem bem-estar.

Colares de monitoramento permitem acompanhar em tempo real saúde, ciclo reprodutivo, dieta, movimentação e estresse térmico das vacas. Vacinas autógenas, personalizadas para o rebanho, reduziram a ocorrência de mastite e o uso de antibióticos. A alimentação é baseada em silagem de milho produzida na própria fazenda, em 100 hectares, o que representa a maior parte do custo de produção. O planejamento anual com compra antecipada de insumos garante melhores preços e sustentabilidade financeira.

A propriedade de quase 500 hectares conta com 328 hectares de área preservada, com mais de 40 nascentes. Sistemas de energia solar, reaproveitamento de água, fertirrigação com resíduos orgânicos e compostagem, além de medidas de mitigação de metano, reforçam o compromisso ambiental. O leite é entregue à Lactalis, que considera a Fazenda Sertãozinho referência na região.

O novo desafio de Rojas é ampliar a produção para 10.000 litros por dia em dois anos, sem adquirir novos animais, mantendo os indicadores de excelência e bem-estar. A equipe de 16 colaboradores, com baixa rotatividade e treinamentos periódicos, é parte essencial dessa trajetória.

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