Déficit de armazenagem causa prejuízo de R$ 88,3 bilhões aos produtores em dois anos, aponta Kepler

A falta de estrutura adequada para armazenar grãos tem custado caro ao agronegócio brasileiro. Segundo levantamento da Kepler Weber, em parceria com a consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio, o déficit de silos e armazéns nas regiões produtoras gerou um impacto negativo estimado em R$ 88,3 bilhões para os agricultores entre 2023 e 2025.

Gargalo que reduz a renda no campo

De acordo com a análise, a escassez de infraestrutura obriga os produtores a venderem grande parte dos grãos no pico da safra, momento em que a oferta elevada pressiona os prêmios portuários e derruba os preços. “Sem armazenagem suficiente, ele é obrigado a vender no período de maior pressão sobre os preços. O custo desse gargalo não é abstrato: ele aparece diretamente na receita do campo”, destacou Bernardo Nogueira, CEO da Kepler Weber.

Comparação internacional

Em países como Estados Unidos e Argentina, onde a infraestrutura de armazenagem é adequada, o produtor pode estocar a colheita e comercializar ao longo do ano, aproveitando as melhores janelas de preço. No Brasil, a realidade é diferente: o agricultor precisa vender quase que imediatamente após a colheita para liberar espaço, pagar custeio e honrar contratos.

Investimento necessário para zerar o déficit

A Kepler Weber, maior empresa do setor na América Latina, estimou em abril que o país necessitaria de R$ 148 bilhões em investimentos para comportar toda a produção desta safra e eliminar o déficit de 135 milhões de toneladas que devem ficar sem espaço para armazenamento. O problema afeta especialmente culturas como soja e milho, que concentram a maior parte da produção nacional.

O levantamento reforça a urgência de políticas públicas e investimentos privados em logística e armazenagem para evitar que o Brasil continue perdendo competitividade e receita no campo.

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