A procura firme por algodão, combinada com preocupações climáticas para a safra da pluma, vem sustentando um quadro de preços mais firmes na bolsa de Nova York. Nesta quarta-feira (19/8), os lotes para dezembro fecharam em alta de 3,44%, a 88,35 centavos de dólar a libra-peso.
“Temos neste momento uma demanda forte por algodão, especialmente vinda da China e da Índia, dois grandes consumidores globais. Isso motivou o USDA [Departamento de Agricultura dos EUA] a reduzir os estoques finais mundiais”, destacou Eduardo Santiago, da Santiago Cotton. Em seu relatório de agosto, o departamento estimou reservas de 15,17 milhões de toneladas para a temporada 2026/27.
A demanda por algodão também ganha força, lembra o corretor de mercado, diante da valorização do petróleo. Quando o fóssil fica mais caro, os tecidos naturais, feitos a partir do algodão, ganham competitividade em relação aos sintéticos, produzidos com derivados do petróleo.
Por fim, o momento também é positivo para o mercado da pluma diante dos problemas climáticos. “Há uma seca muito forte no Texas [maior produtor de algodão nos EUA] e o El Niño potencializado pode comprometer a janela de plantio de safras futuras. Além disso, no Brasil, o clima mais chuvoso causou atraso na colheita e beneficiamento da pluma”, acrescentou Santiago.
Em outros mercados, os preços do açúcar seguem nos maiores patamares em mais de um ano. Os lotes do demerara para outubro subiram 0,46%, a 17,55 centavos de dólar a libra-peso. O café registrou leve queda na sessão com investidores embolsando lucros após uma alta de 4,5% na véspera. O cacau avançou após baixa de 2,47% na véspera, enquanto o suco de laranja concentrado e congelado fechou em leve queda.