A atuação de um El Niño muito forte está preocupando produtores de cenoura em várias regiões do Brasil, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O fenômeno climático já causa impactos na produtividade e na qualidade das raízes, principalmente no Rio Grande do Sul.
Impacto no Rio Grande do Sul
Na praça de Caxias do Sul (RS), a situação é a mais crítica. As chuvas muito acima da média têm dificultado o acesso às áreas de cultivo e atrasado o plantio de inverno em cerca de um mês, entre setembro e outubro. O atraso também compromete as colheitas, com um percentual de descarte estimado em 20%.
Para minimizar os efeitos, muitos produtores gaúchos estão comprando cenouras de outros estados, como Santa Catarina e Minas Gerais, para atender ao mercado sulista. Com isso, a rentabilidade tende a ser mais apertada, especialmente porque a fase mais intensa do El Niño ainda está por vir.
Riscos para o verão
A expectativa de chuvas intensas deixa os produtores receosos quanto aos plantios de verão. As lavouras podem ter o desenvolvimento prejudicado até a formação da raiz, o que pode levar muitos a segurarem os plantios para evitar perdas maiores.
Cenário em outras praças
Em Irecê (BA), a restrição hídrica já é uma preocupação. Os produtores ouvidos pelo Cepea planejam os cultivos de inverno e verão de forma mais controlada, para não depender exclusivamente dos poços. Algumas lavouras já apresentam escassez de água, e a oferta local permaneceu controlada neste inverno.
Em São Gotardo (MG), a maior praça nacional da cenoura, a previsão é de aumento acentuado das temperaturas e chuvas próximas à média nos próximos meses. Até o momento, não há danos significativos na safra de inverno.
Na região Centro-Oeste, especialmente na praça de Cristalina (GO), o panorama é semelhante ao de Minas Gerais. As atividades na roça seguem sem imprevistos, com colheitas e plantios da safra de verão programados. As chuvas de setembro, no entanto, provocaram incidência de doenças como mela e pinta, sem afetar de forma relevante a produção.
O monitoramento das condições climáticas e do fenômeno El Niño deve continuar, já que novos impactos podem surgir nas próximas semanas.