El Niño impulsiona alta de cacau e café em julho nas bolsas internacionais

O fenômeno climático El Niño, cada vez mais consolidado, já está reduzindo as estimativas para a oferta de cacau e café no mundo e impactando os preços dessas duas commodities. Com investidores se antecipando a possíveis perdas na produção, as cotações dispararam na Bolsa de Nova York em julho. Em Chicago, o destaque foi o trigo, que subiu mais de 10% no período, impulsionado por uma safra menor nos Estados Unidos e pela escalada da guerra entre Rússia e Ucrânia.

O cacau liderou a valorização das commodities agrícolas em Nova York, com contratos de segunda posição subindo 29,5% em julho, para uma média de US$ 5.603 por tonelada. Carolina França, analista da Hedgepoint Global Markets, afirma que o El Niño é o principal risco avaliado pelos investidores. “O preço do cacau reagiu após a OMM apontar que o fenômeno afetaria o clima com maior intensidade e rapidez a partir de julho”, explica.

O El Niño já reduziu as estimativas de colheita dos maiores produtores mundiais de cacau na safra 2026/27. Na Costa do Marfim, a colheita deve ser 9% menor que no ciclo atual, enquanto em Gana a projeção é de queda de 16%. Dados de moagem no segundo trimestre também contribuíram para a alta, mostrando demanda resiliente, especialmente por subprodutos.

No café, os contratos de segunda posição subiram 21,5% em julho, para uma média de US$ 3,1751 por libra-peso. O excesso de chuvas nas principais áreas produtoras do Brasil, relacionado ao El Niño, atrasou a colheita e prejudicou a qualidade dos grãos. “Temos uma quebra na qualidade, não no volume. O excesso de chuva afetou a oferta de grãos de qualidade, impactando os preços”, destaca Haroldo Bonfá, da Pharos Consultoria.

O açúcar fechou julho em alta de 8,8%, a 15,71 centavos de dólar por libra-peso, e o algodão avançou 4,4%, a 79,74 centavos. Em ambos os casos, houve influência do aumento de 20% no petróleo, que estimula a produção de etanol e reduz a oferta de açúcar, além de impulsionar a demanda por fibras naturais. Apenas o suco de laranja congelado recuou, com queda de 6,3%.

Na Bolsa de Chicago, o trigo liderou com alta de 10,1%, a US$ 6,6166 o bushel, o maior valor em dois anos. “A produção nos EUA é a menor desde 1970, e o país terá a menor área plantada da história”, afirma Élcio Bento, da Safras & Mercado. A escalada da guerra entre Rússia e Ucrânia, com ataques a navios no Mar Negro, também pressionou os preços. Soja e milho subiram 5,2% e 7,5%, respectivamente, devido ao aumento das temperaturas nos EUA durante o desenvolvimento das plantas.

Deixe um comentário

Powered by Joinchat
Anunciar grátis