O Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná confirmou, em boletim divulgado nesta quinta-feira (29/10), a redução da safra de inverno no estado. As condições climáticas adversas, intensificadas pelo El Niño, resultaram em uma colheita de 2,84 milhões de toneladas de grãos, volume 28% inferior às 3,9 milhões de toneladas registradas em 2025. A quebra já era esperada pelos técnicos, que alertaram para os riscos desde o início do fenômeno.
Entre as culturas, o trigo foi o mais afetado. A produtividade inicial estimada de 54 sacas por hectare caiu para 44 sacas/ha (2,6 mil kg/ha), uma redução de 18%. Aliada ao encolhimento de 12% na área plantada, a produção esperada é de 1,9 milhão de toneladas, 34% menor que a do ciclo anterior. A qualidade do cereal também foi prejudicada pelo excesso de chuvas durante a colheita, comprometendo a oferta para a indústria moageira. “O risco relativo às intempéries durante a colheita confirmou-se com o excesso de precipitação pluviométrica verificado na maioria das regiões do Estado, afetando principalmente os cultivos tardios”, explicou Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo do Deral.
Produtores locais relatam perdas expressivas. Thomas Salomons, de Arapoti, registrou queda de produtividade de 4,5 mil kg/ha no ano passado para 3,1 mil kg/ha nesta safra, uma retração de mais de 30%. Além da quantidade, a qualidade também caiu, com lotes classificados abaixo do padrão industrial. Marinus Hagen Neto, que cultiva grãos em Arapoti e Jaguariaíva, observou diferença entre plantios precoces (4,4 mil kg/ha) e tardios (3,2 mil kg/ha), com perda de valor agregado.
A cevada, que tinha potencial para safra recorde devido ao aumento de 23% na área, também sofreu perdas. A estimativa atual é de 492 mil toneladas, 2% abaixo da safra anterior. A colheita de 54% da área já mostra perdas qualitativas, embora menos severas que as do trigo. Produtores relataram que a cevada obteve melhor resultado, com grãos aptos para produção de malte.
Outros cereais de inverno, como aveia, centeio e triticale, também tiveram redução de produtividade e área, encolhendo a oferta no estado. A única exceção positiva foi a canola, cuja ampliação significativa da área cultivada compensou as perdas de produtividade e duplicou o volume ofertado no Paraná.