Um relatório recente da FAIRR, rede internacional de investidores com mais de 400 membros e US$ 95 bilhões em ativos sob gestão, revelou uma queda no número de empresas que divulgam metas quantitativas relacionadas à agricultura regenerativa. Em 2023, 35% das 78 empresas agroalimentares listadas em bolsa no mundo apresentavam tais compromissos; agora, esse percentual caiu para 28%.
O levantamento destacou que a JBS e o grupo Compass, de serviços alimentares, deixaram de mencionar metas específicas na área. Em 2023, a gigante brasileira de carnes havia anunciado um investimento de US$ 100 milhões em pesquisa para reduzir emissões, incluindo práticas regenerativas, mas seu relatório de sustentabilidade mais recente omitiu essa meta. A JBS afirmou que continua investindo em pesquisas no Brasil, Estados Unidos e Austrália, citando projetos como o RestaurAmazônia. Já o Compass, que em 2023 tinha metas de originação de produtos regenerativos até 2030, não as menciona mais; a empresa não foi localizada para comentários.
Outro ponto crítico é que as metas existentes focam mais na implementação — como área regenerada ou volume de ingredientes originados — do que em resultados concretos, como redução do uso de agrotóxicos ou emissões de gases de efeito estufa. Apenas 4% das companhias têm metas baseadas em resultados, contra 6% em 2023. Nenhuma empresa analisada possui meta de redução de agrotóxicos, embora essa seja uma consequência esperada da agricultura regenerativa. A FAIRR alerta que, em alguns casos, o uso de herbicidas até aumentou com a adoção de práticas regenerativas, criando riscos reputacionais.
Apesar do recuo nas metas quantitativas, o tema não foi abandonado: 64% das empresas mencionam a agricultura regenerativa em seus relatórios (ante 63% em 2023), e 96% reconhecem o clima como risco financeiro, contra 68% há dois anos. A FAIRR conclui que, sem métricas claras de resultados, investidores não conseguem avaliar a credibilidade e a profundidade dos programas.