O Grupo Ruiz Coffees, segundo maior produtor de café do Brasil — atrás apenas da Cooxupé —, está em negociação com credores para superar a crise financeira e preservar suas atividades. A empresa propõe a transferência das terras dadas em garantia para um fundo controlado pelos credores, mantendo-as arrendadas e com opção de recompra futura. Como alternativa, também analisa a venda de parte das fazendas para reduzir o endividamento.
No dia 29 de junho, a Ruiz Coffees obteve uma medida cautelar que suspende por 60 dias a execução das dívidas, enquanto busca um acordo. A decisão foi do juiz Paulo Roberto Zaidan Maluf, da Vara Regional Empresarial de São José do Rio Preto (SP), e corre em segredo de Justiça.
O grupo alega que a combinação de expansão com alto custo financeiro, concentração de dívidas de curto prazo, restrição de crédito para rolagem e ciclo agrícola longo pressionou o fluxo de caixa. O cenário foi agravado pelo vencimento concentrado de operações financeiras estruturadas, incluindo títulos detidos por Fiagros das gestoras Vectis, Galápagos e Suno. Considerando apenas os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), as dívidas somam cerca de R$ 300 milhões, mas fontes de mercado estimam que o total chegue a R$ 1 bilhão.
Ricardo Prado, diretor financeiro do Grupo Ruiz Coffees, não confirma o valor exato e afirma que os números ainda estão sendo consolidados. “O grupo mantém conversas com credores detentores de garantias, inclusive em operações com alienação fiduciária, buscando alternativas que permitam a preservação da atividade empresarial e a construção de uma solução sustentável para o endividamento”, disse. Segundo ele, o objetivo é preservar a operação sem abrir mão de ativos estratégicos.
A Ruiz Coffees foi fundada em 1930 por João Ruiz Lourenço, em Bálsamo (SP), e hoje é administrada pela quarta geração da família. Possui 22 fazendas em Minas Gerais (Piumhi, São Roque de Minas, Doresópolis, Urucuia) e na Bahia (Barreiras), com área plantada de aproximadamente 9 mil hectares e produção anual em torno de 250 mil sacas de 60 quilos. Conta ainda com um armazém em Piumhi com capacidade estática para 160 mil sacas.
Nos últimos anos, o grupo fez investimentos massivos em tecnologia, estrutura e expansão, financiados por Fiagros a partir de 2021. O forte aumento das taxas de juros e a saída de instituições financeiras da renovação de linhas de crédito agravaram a situação. A criação de um fundo com as terras em garantia pode ser vantajosa para os credores, que evitarão anos de disputa judicial para execução das alienações fiduciárias.