Quando pensamos em um milharal, imaginamos plantas com uma haste única, folhas longas e espigas. Mas a natureza às vezes surpreende. A leitora Daiana Michelon, de Concórdia (SC), enviou a foto de um pé de milho que não apenas desenvolveu ramos, mas também produziu sementes nas pontas dos pendões. Ela perguntou o que causou essa mudança.
O pesquisador Paulo César Magalhães, da Embrapa Milho e Sorgo, explica que a planta de milho pode apresentar perfilhamento – o desenvolvimento de um ramo lateral, geralmente originado de nós abaixo do solo. No caso registrado, o broto surgiu a partir da axila foliar, fenômeno chamado de perfilho axilar.
Todo broto ou caule secundário (perfilho) pode produzir estruturas semelhantes às da planta-mãe, incluindo espigas viáveis. No entanto, segundo Magalhães, a ocorrência de estresse abiótico – como impacto de fatores climáticos ou condições do solo – pode causar um desbalanço hormonal que leva à formação de espigas no pendão. Esse fenômeno é conhecido como tassel seeds (sementes no pendão) e é mais comum em plantas isoladas, que não possuem a proteção da palha e ficam sujeitas ao ataque de pássaros e roedores, não tendo valor comercial.
O especialista ressalta que, embora o fenômeno seja uma anomalia, ele não compromete a planta inteira, mas as sementes no pendão não devem ser utilizadas para consumo ou plantio.