Escassez de enxofre força Mosaic a reduzir operações no Brasil

A gigante americana de fertilizantes Mosaic anunciou uma nova rodada de redução de operações no Brasil devido à escassez de enxofre, insumo essencial para a produção de fosfatados. Em comunicado enviado a fornecedores, a empresa classificou as medidas como “readequações temporárias em seu plano operacional”, citando um cenário “desafiador e sem precedentes” causado por fatores externos, como instabilidade geopolítica e restrições em rotas marítimas.

Entre as ações adotadas estão a prorrogação das paralisações temporárias nas unidades de Catalão e Tapira (MG), a hibernação temporária do Complexo de Uberaba em setembro, a avaliação de paralisação na Fospar (PR) por falta de ácido sulfúrico, e a paralisação ou redução da produção em unidades de mistura em Candeias (BA), Catalão (GO), Palmeirante (TO) e Sorriso (MT).

De acordo com a empresa, a medida não representa mudança na estratégia de longo prazo. A duração das restrições dependerá da estabilização dos preços do enxofre e da reabertura das rotas marítimas. A Mosaic informou que avalia alternativas para o suprimento de matérias-primas e mantém diálogo com sindicatos, parceiros e autoridades.

O cenário reflete a forte alta do enxofre: nos portos brasileiros, o preço ultrapassou US$ 1.200 por tonelada, aumento de quase 140% desde o início do conflito no Oriente Médio. As importações do insumo caíram 45,7% entre janeiro e maio deste ano, totalizando 630 mil toneladas, segundo a consultoria StoneX. “Em meio à escassez global, fabricantes reduziram suas taxas de operação, limitando a oferta internacional”, explica Tomás Pernías, analista da StoneX.

A Mosaic já havia paralisado minas de rocha fosfática em Araxá e Patrocínio (MG) e desmobilizado o complexo mineroquímico de Araxá em abril.

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