O principal desafio para extrair benefícios da inovação, especialmente da inteligência artificial (IA), não está nos custos de infraestrutura, mas na falta de profissionais qualificados e experientes. A constatação foi feita por executivos de grandes empresas de tecnologia durante o evento Arena Impacto, promovido por Valor e Globo Rural, com apresentação da Solinftec, no Cubo Itaú, em São Paulo.
Marco Righetti, diretor sênior de Engenharia Avançada da Oracle na América Latina, destacou que, embora haja a percepção de que investir em tecnologia é caro e complexo, boa parte desse custo atualmente é absorvida pelas fornecedoras de infraestrutura como serviço. Ele citou um projeto de IA para um produtor de cana-de-açúcar, voltado à melhoria da logística dentro da usina, em que a maior dificuldade foi a carência de engenheiros e cientistas de dados.
Manuel Coelho, responsável pela área de inovação da Siemens Healthineers, relatou episódio semelhante durante o auge da pandemia de covid-19. A empresa, que treina algoritmos com a Universidade de Princeton (EUA), passou a enviar imagens de tomografias para triagem de casos. “Uma única tomografia de tórax envolve cerca de 400 imagens”, afirmou. O gargalo foi a falta de profissionais capazes de operar os equipamentos.
Outra fronteira da inovação é a IA agêntica, que permite que agentes digitais analisem cenários, tomem decisões e as implementem sem interferência humana. Luis Caro, chefe de inovação em nuvem e IA da Amazon Web Services (AWS), revelou que 15% das empresas brasileiras que já adotaram IA estão implementando essa tecnologia. Ele destacou que o Brasil foi o oitavo país do mundo a receber um data center da AWS, “o que mostra o potencial do país”.
Righetti, da Oracle, ressaltou a importância dos data centers como “fábricas de IA”. Já a Siemens Healthineers optou por um modelo híbrido, combinando serviços da AWS com instalações próprias, para obter as vantagens da nuvem e manter dados críticos acessíveis rapidamente.