A produção global de biocombustíveis deve crescer 68% até 2030 em comparação com os níveis de 2025, de acordo com um estudo divulgado pelo instituto Chatham House em parceria com o Forest Stewardship Council (FSC). O avanço é impulsionado pelo aumento das exigências de mistura adotadas por países produtores como resposta à crise energética desencadeada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.
Crescimento impulsionado por crise energética
Desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro de 2026, China, Índia, Indonésia, Estados Unidos, União Europeia e Brasil propuseram ou adotaram medidas mais rigorosas para a mistura de biocombustíveis, aponta a pesquisa. O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz e o choque energético global aceleraram a busca por fontes alternativas de energia.
Impacto sobre terras e florestas
Segundo a análise, a expansão do setor pode exigir cerca de 36 milhões de hectares adicionais de terras agrícolas em todo o mundo — área equivalente ao território da Alemanha. Esse movimento também pode aumentar a pressão sobre florestas e ecossistemas em regiões ambientalmente sensíveis, ampliando a competição por terras e matérias-primas agrícolas.
Riscos para segurança alimentar
Uma expansão acelerada e pouco coordenada tende a elevar a demanda por culturas como óleo de palma, soja, milho e arroz, especialmente diante da menor disponibilidade de fertilizantes causada por conflitos e dos impactos do El Niño sobre a produção agrícola. Com isso, os preços de alimentos e óleos vegetais podem subir, aumentando os riscos para a segurança alimentar em 2026 e nos anos seguintes.
Por Mariana Letizio — São Paulo, 22/09/2026