Desde que o governo aprovou o aumento do teor de etanol na gasolina de 30% para 32%, críticos vêm afirmando que a medida iria piorar o desempenho dos veículos e desgastar mais as peças. O quanto essas críticas são verdadeiras? O Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), responsável pelos testes encomendados pelo Ministério de Minas e Energia (MME), divulgou seu relatório e esclarece os principais pontos.
É importante lembrar que os veículos flex, produzidos no Brasil, já são capazes de funcionar tanto com gasolina quanto com 100% de etanol hidratado, já que seus motores são desenvolvidos especialmente para a capacidade do país de ofertar os dois tipos de combustível nas bombas. Atualmente, a frota flex representa aproximadamente 80% de todos os veículos leves que rodam no Brasil. Ou seja, apenas 20% dos carros abastecem apenas com gasolina — em geral, importados. É sobre esta parcela da frota que os testes com misturas de etanol na gasolina são feitos.
A gasolina vendida nas bombas leva etanol em sua forma desidratada (anidro). Até 31 de julho, o teor era de 30%. Desde 1 de agosto, essa fatia subiu para 32%, de forma temporária, por 180 dias, conforme resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A decisão baseou-se nos últimos testes do IMT, que validaram a capacidade dos veículos movidos exclusivamente a gasolina de rodarem com 30% de etanol (E30) sem sofrer alterações em seu desempenho. Embora os testes tenham sido focados no E30, o IMT também testou a capacidade de rodar com 32% de etanol, como margem de segurança, considerando que nem sempre as misturas resultam homogêneas.
O IMT analisou diversos parâmetros nas misturas de 27% (teor vigente antes do E30) e 32%, como razão ar/combustível nos motores, desempenho das partidas a frio, aceleração a frio, aceleração a quente, retomadas de velocidade a quente, emissões gasosas e autonomia.
Nos testes sobre a razão entre ar e combustível em veículos leves, o IMT afirmou que “não houve alteração sistemática perceptível no comportamento dos parâmetros de ajuste”. Quando foi necessário ajustar essa razão, o software de gerenciamento do motor foi capaz de realizar as alterações necessárias.
Sobre os testes de partidas a frio, estabilidade de marcha lenta e aceleração livre, o IMT disse que a elevação do teor de etanol “não causou impacto sensível no desempenho” — mesmo em veículos mais antigos. A respeito do teste de aceleração a frio, o IMT afirmou que “não houve impacto no desempenho que tenha sido causado pela alteração do combustível de E27 para E32”.
Já no teste de aceleração a quente, o IMT reconheceu que houve “pequenas diferenças de desempenho entre os dois combustíveis”, mas que foram “consideradas estatisticamente não relevantes, ao nível de significância de 5%”. Nos testes de retomadas de velocidade a quente, o IMT afirmou que “muitos dos testes não apresentaram diferenças estatisticamente significativas”, e que as variações estavam dentro de “valores limites observados para veículos mais antigos e com menores potências”.
Quanto aos testes de emissões gasosas e autonomia, o IMT só informou conclusões sobre a diferença entre E27 e E30, sem mencionar o E32, afirmando que “não houve impacto considerável”. Nos testes com motocicletas, as conclusões foram semelhantes, com a principal diferença em quatro de 13 motocicletas nos testes de aceleração a quente, mas o IMT considerou que “tais diferenças não impactarão na dirigibilidade”.
O relatório completo pode ser lido no site do instituto. A regulamentação do E32, divulgada pelo CNPE em 31 de julho, tem uma regra diferente sobre margem de tolerância, já que a regulamentação do E30 previa uma margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos.