Ex-secretário da Agricultura aponta potencial para crescimento das exportações de ovos do Brasil

O Brasil já ampliou consideravelmente suas exportações de ovos, mas há ainda um espaço “muito grande” para o país expandir suas vendas externas do produto, na avaliação do ex-secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua. Ele falou nesta terça-feira (4/8) em palestra no Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), em São Paulo (SP).

Rua lembrou que há alguns anos o Brasil exportava em torno de 0,3% de sua produção e hoje envia ao exterior entre 1% e 1,5%. Ainda assim, o porcentual é bem inferior ao verificado em outras cadeias, como as de aves e carne bovina, que exportam em torno de um terço da produção, e a de carne suína, que manda cerca de um quarto da produção ao mercado externo.

“Houve evolução bastante significativa, mas a exportação de ovos representa muito pouco do que produzimos”, disse.

O ex-secretário defendeu que é preciso desenvolver a cultura exportadora na cadeia de ovos, com investimentos focados no mercado externo e viagens aos mercados de interesse para entender hábitos de consumo e conhecer compradores. “Exportar não é um processo simples ou fácil, mas ao longo dos anos traz resultado, a exemplo das cadeias do frango, boi e suíno. A do ovo tem que partir para isso, precisa gastar sola de sapato, pegar mala e buscar importadores”, afirmou.

Rua, que nos últimos anos atuou à frente da secretaria que buscava novos mercados para produtos brasileiros, disse que a abertura do mercado das Filipinas — hoje maior comprador de carne suína do Brasil — para o ovo brasileiro “está na boca do gol”. Ele também enfatizou a importância de exportadores diversificarem mercados de modo a se protegerem no atual momento em que surgem barreiras de toda ordem — tarifárias, sanitárias, ambientais, sociais e trabalhistas.

“Nos últimos dois ou três anos, misturou tudo”, disse Rua referindo-se às barreiras de diferentes naturezas. “Esse é o mundo em que vivemos, isso não vai mudar no curto prazo e é preciso ir para fora, participar de feiras. Crises e ciclos acontecem o tempo todo e se não tivermos opções, fica mais complexo sair de um ciclo ou de uma crise.”

Por Clarice Couto — São Paulo, 04/08/2026

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