Executivo do Banco do Brasil: ‘Estamos trabalhando para enfrentar o meteoro que atinge o agro’

O vice-presidente financeiro do Banco do Brasil, Geovanne Tobias, afirmou nesta quinta-feira (13/8) que a instituição está trabalhando para enfrentar o que chamou de ‘meteoro’ que está caindo sobre o agronegócio e impactando os resultados do banco. A declaração foi feita durante teleconferência com analistas sobre os resultados do segundo trimestre, após ser questionado sobre o nível de capital do BB.

Segundo Tobias, o acúmulo de capital orgânico está sendo afetado pelo desempenho da carteira, ‘enfraquecido pelas provisões’. Ele destacou que o banco já opera no nível mínimo de ‘payout’, ou seja, a parcela do lucro líquido distribuída aos acionistas como proventos.

O capital principal do BB caiu para 11,27% no segundo trimestre de 2026, ante 11,59% no primeiro trimestre e 10,97% há um ano. ‘A gente está tracionando outros negócios do conglomerado BB para ajudar a amortecer, e, cá entre nós, para quem absorveu R$ 37 bilhões de provisão só neste primeiro semestre e está entregando lucro de R$ 7 bilhões, tudo bem que é muito aquém do que a gente consegue entregar e que nós gostaríamos de estar entregando para os nossos investidores’, afirmou.

Ele acrescentou: ‘Mas a gente acredita que a gente vai passar por essa tormenta, por esse meteoro que está caindo no agro, e a gente vai sim retomar essa lucratividade do banco.’

Parte do capital foi consumida por ajustes prudenciais para atender exigências do Banco Central (BC). ‘Se não estivéssemos enfrentando o que estamos enfrentando no agro, não estaríamos tendo essa conversa. Mas nada que nos desespere. Muito pelo contrário, está dentro do nosso planejamento e a gente sabe exatamente quais variáveis mexer para eventualmente melhorar esse índice de capital lá na frente’, disse Tobias.

O executivo também afirmou que o banco não vê recessão econômica no próximo ano, prevendo um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 1%.

Renegociações de dívidas rurais

A Medida Provisória (MP) 1.376/2026, que permite a criação de linhas de crédito para ajudar produtores rurais a pagar ou renegociar dívidas, deve gerar um impacto de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões no lucro do Banco do Brasil (BB) a cada R$ 1 bilhão renegociado. A estimativa foi compartilhada por Felipe Prince, vice-presidente de Riscos do BB, durante a teleconferência.

Esse efeito é esperado porque a renegociação gera melhora nas despesas de provisão para devedores duvidosos (PDD) e nas receitas. ‘Vão ser operações com entrada, vão ser operações com reforço de garantia, para que a gente, inclusive, possa fazer as migrações de estágio’, pontuou Prince. ‘E aí começam os efeitos positivos. Um efeito de reversão de provisão, um efeito de eu poder voltar a acruar essas operações, lembrando que grande parte dessas operações já não estão acruando.’

O vice-presidente de agronegócios do BB, Gilson Bittencourt, afirmou que, do potencial de R$ 100 bilhões em renegociações para o banco, serão priorizados R$ 36 bilhões em créditos já inadimplentes. ‘A gente consegue reverter parte dessa provisão [relativa ao crédito inadimplente]. Então, são várias ações ao mesmo tempo.’

El Niño

Bittencourt foi questionado pelos analistas se não está preocupado com os efeitos do El Niño. Ele disse que o BB está, sim, preocupado, mas também apontou que, historicamente, a perda efetiva na produção agrícola brasileira com o fenômeno é pequena, embora o impacto possa ser mais forte em determinadas regiões e culturas específicas. ‘Estamos atentos, mas nem por isso vamos deixar de financiar a produção.’

Pessoas físicas no banco

Tobias afirmou que a expectativa para a inadimplência da carteira de pessoas físicas é que ela retorne para patamares inferiores, e que o salto é ‘pontual’ de ajustes feitos em relação ao risco da carteira. ‘A gente acredita que, para 2027, a gente tem a tendência, sim, na medida que a gente tem focado o crescimento muito no consignado público e no consignado privado, de trazer de volta essa inadimplência dessa carteira para os patamares que a gente via antes.’

Um dos fatores que deve contribuir para a queda da inadimplência é o vínculo automático das operações de crédito consignado quando o trabalhador troca de emprego. ‘Vai ser implementado, a princípio, a partir do final deste mês, e o processo vai ser automático. […] Isso tenderá a reduzir bastante a nossa inadimplência, permitindo, com essa reestruturação, trazer para um patamar que a gente entende que é aceitável’, disse Bittencourt.

Tobias também afirmou que hoje o custo de risco do BB está acima de 5%, mas o banco irá mirar 3,5% no futuro. ‘Em média, nossos pares estão trabalhando com esse nível de custo de crédito, mas isso vai depender de como o 2027 vai se desdobrar’, ponderou.

‘Guidance’

Ainda na teleconferência, Tobias afirmou que o lucro do banco deve ficar na ponta mais baixa das projeções (‘guidance’) da instituição para este ano. O ‘guidance’ do BB de lucro líquido para 2026 é entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. No primeiro semestre, atingiu R$ 7,3 bilhões. ‘Existe o risco de furar [para baixo]? Sim, mas no pior dos cenários é coisa de 5%, 6%. Por enquanto, trabalhamos para atingir o guidance’, comentou.

Já o guidance para provisões ele voltou a afirmar que deve ficar mais perto do topo do intervalo, que vai de R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões.

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