As exportações brasileiras de café na safra 2026/27, iniciada em julho, devem atingir 45 milhões de sacas de 60 quilos, de acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O volume, se confirmado, representará um aumento de 17% em relação às 38,46 milhões de sacas exportadas na safra 2025/26.
Para o ano de 2026, o Cecafé projeta exportações de 40 milhões de sacas, repetindo o mesmo volume registrado em 2025. No primeiro semestre, os embarques somaram 17,83 milhões de sacas, com queda de 8,3%. A receita recuou 13,3%, para US$ 6,54 bilhões. “Se não fosse a previsão do El Niño no segundo semestre, talvez o número fosse melhor”, disse Márcio Ferreira, presidente do conselho do Cecafé.
Segundo o executivo, a qualidade média da safra ainda é uma incógnita. As chuvas acima da média em junho que atingiram o sul de Minas Gerais, o Cerrado Mineiro e a Média Mogiana, em São Paulo, causaram atraso na colheita, maior volume de grãos no chão e deterioração desses grãos por conta da umidade. “Tem um prejuízo por causa das chuvas mas o impacto é limitado”, afirmou Ferreira. Ele acrescentou que o atraso na colheita prejudica a capacidade do Brasil produzir cafés cerejas descascado ou lavado para concorrer com os cafés colombianos, que têm preços mais altos no exterior. “Imagino que a safra vai continuar sendo muito boa, mas com readequação da qualidade”, declarou.
Ferreira afirmou ainda que, em função da expectativa de preços mais baixos nos próximos meses devido ao aumento da oferta do grão, muitos exportadores e cooperativas têm reduzido o ritmo de vendas, à espera de melhores preços para vender os cafés de melhor qualidade.
Além do desafio climático, o setor de café vive um desafio logístico e geopolítico. “Estamos na iminência de sermos tarifados ou não pelos Estados Unidos e o mercado americano influencia grandemente o setor”, observou Eduardo Heron, diretor do Cecafé. Ele observou que o Brasil conquistou 11 novos mercados nos últimos 12 meses, mas ainda é preciso consolidar a presença nesses mercados para alcançar volumes mais relevantes de exportação. Por enquanto, os volumes são pequenos e não compensam as perdas com exportações para os EUA no último ano.
Outra preocupação são os conflitos que provocam o fechamento do estreito de Ormuz. “A Ásia é o segundo maior mercado para o Brasil, depois da Europa e tem uma zona de conflito muito preocupante na região, o que traz preocupação para o café brasileiro. Talvez tenha impacto nas exportações, por conta dos conflitos, com os cafés sendo destinados para outros mercados e não para os mercados que adquiriram o café inicialmente”, disse Santos.
Marcos Matos, diretor geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), observou que o café arábica foi o mais exportado pelo Brasil na safra 2025/26, com 29,50 milhões de sacas, queda de 15,3% frente à safra 2024/25. A espécie canéfora (conilon + robusta) teve queda de 23,5%, para 5,03 milhões de sacas. O segmento de café solúvel somou 3,87 milhões de sacas exportadas e o café torrado e torrado e moído, 56,9 mil sacas.