Exportações de carne bovina para a China despencam em agosto e atingem menor patamar desde 2021

As exportações brasileiras de carne bovina para a China somaram 16.080 toneladas em agosto, volume quase 90% inferior às 158.060 toneladas enviadas no mesmo mês do ano passado, segundo relatório da Safras Consultoria com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em julho, as exportações já haviam caído 47,8% em relação a julho de 2025, com 82.700 toneladas. O desempenho de agosto foi o pior desde dezembro de 2021, quando o Brasil estava impedido de vender carne bovina ao país por suspeita de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EBB), a “doença da vaca louca”.

Embarques de carne bovina à China somaram 16.080 toneladas em agosto, volume quase 90% inferior ao do mesmo mês de 2025 — Foto: Claudio Belli/Valor

“Esse desempenho já era esperado, pelos embarques muito aquém do habitual, por conta do esgotamento precoce da cota disponibilizada pela China”, afirmou a consultoria. “O Brasil segue apostando na diversificação para conseguir evoluir nos embarques, mas substituir a China tem se mostrado uma tarefa complexa.”

Pelos cálculos da Safras, o Brasil já ultrapassou o volume de 1,106 milhão de toneladas que a China estabeleceu para exportar sem tarifa adicional de 55%. Foram 1,205 milhão de toneladas, considerando cerca de 176,4 mil embarcadas em novembro e pouco mais de 149,5 mil enviadas em dezembro, que chegaram aos portos chineses em 2027 e foram contabilizadas na cota de 2026. Já pelos dados oficiais chineses, que contabilizam os volumes desembarcados, o Brasil usou 91,53% da cota. A Austrália utilizou 101,61%; Argentina, 52,4%; Uruguai, 28,05%; Nova Zelândia, 36,44%; e Estados Unidos, 0,6% de uma cota de 164 mil toneladas.

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