Por Paulo Santos — Campina Grande (PB)
O Brasil registrou em agosto um recorde histórico de embarques de café, com 4,16 milhões de sacas, volume 31% superior ao mesmo mês de 2025. O ritmo acelerado das exportações brasileiras, aliado às condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras, coloca pressão de baixa sobre as cotações internacionais no curto prazo, segundo análise da Hedgepoint Global Markets.
“Os estoques certificados seguem nos níveis mais baixos em décadas e dão algum suporte aos preços. Ainda assim, o aumento dos estoques pendentes para classificação, o clima no Brasil e o avanço das exportações podem ampliar a pressão baixista, com o contrato de dezembro potencialmente mais perto dos 270 centavos de dólar por libra-peso”, afirma Laleska Moda, analista de inteligência de mercado na Hedgepoint.
Na sexta-feira (18/9), o café arábica encerrou a sessão na bolsa de Nova York cotado a US$ 2,80 a libra-peso. A consultoria projeta que, com o atual cenário, os preços podem permanecer abaixo desse patamar.
As chuvas têm favorecido o desenvolvimento da safra 2027/28, com algumas regiões já registrando a primeira floração e precipitação acumulada em setembro acima da média dos últimos dez anos na maior parte das áreas produtoras.
O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café arábica, exerce grande influência no mercado global. O aumento das exportações ajuda a reduzir os temores sobre a disponibilidade imediata do grão, especialmente após meses de comercialização mais lenta pelos produtores.
Vietnã também pressiona oferta
Do lado do robusta, o Vietnã, principal produtor mundial da variedade, também contribui para a pressão de oferta. O país exportou 2,1 milhões de sacas em agosto, o maior volume para o mês em sete anos. No acumulado da safra 2025/26 (outubro a agosto), as exportações somaram 27,7 milhões de sacas, alta de 19,6% ante o ciclo anterior.
Apesar disso, os estoques vietnamitas encontram-se em níveis extremamente baixos, o que tende a limitar os embarques nos próximos meses. O El Niño também segue no radar, com chuvas abaixo da média desde o início do desenvolvimento da safra 2026/27. A Hedgepoint projeta produção de 30,5 milhões de sacas no Vietnã, volume semelhante ao da safra anterior, graças à expansão da área cultivada.
A consultoria alerta que o El Niño pode afetar o ciclo 2027/28 no Vietnã, prolongando a estação seca e reduzindo a umidade do solo. Há também riscos para a safra da Indonésia, que já está em desenvolvimento nas regiões produtoras de robusta.
“Nesse contexto de incertezas climáticas, os preços poderão encontrar suporte nos próximos meses, dependendo da intensidade dos efeitos do El Niño sobre a produção nos principais países produtores”, conclui a analista.