O setor exportador de mel comemorou a inclusão do produto na lista de itens isentos da sobretaxa de 25% sobre exportações para os Estados Unidos, anunciada na quarta-feira (15/7) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). No entanto, representantes do setor ponderaram que o país não deveria ser sobretaxado e defenderam a continuidade das negociações para eliminar completamente a tarifa.
“Como nação brasileira, a gente ainda tem um caminho muito grande a ser percorrido. As negociações têm que continuar, a gente precisa trabalhar para evitar essa tarifa, que, do ponto de vista técnico e econômico, não se sustenta”, afirmou João Marcelo Messas, diretor da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel).
O Brasil é o principal fornecedor de mel orgânico para os Estados Unidos, respondendo por 75% da oferta do produto no país. De acordo com Messas, os EUA não produzem mel orgânico e sequer têm condições de fazê-lo, além de enfrentarem queda na produção nacional de mel. “A taxação ia significar aumento de custo para o consumidor americano, o que Trump não quer”, observou.
A Abemel informou que a isenção foi resultado do trabalho do setor para sensibilizar o governo americano, aliado a importadores e envasadores nos EUA, que se uniram em defesa da exclusão do mel brasileiro da lista de produtos sobretaxados.
Messas ressaltou que o setor precisa manter a estratégia de diversificação de mercados para reduzir a alta dependência em relação ao mercado americano. “Essa estratégia precisa ser mantida porque, apesar da gente ter tido uma notícia boa agora, a imprevisibilidade é a marca do governo Trump. A gente não sabe o que pode acontecer amanhã”, salientou.