A JBS, uma das maiores produtoras de carnes e alimentos do mundo, anunciou férias coletivas para os funcionários de duas unidades no Mato Grosso: Colíder e Juara. A medida começa nesta quarta-feira (1º de julho) e ocorre devido à proximidade do esgotamento da cota de importação de carne bovina estabelecida pela China para o Brasil.
Inicialmente, os colaboradores terão 20 dias de descanso, com possibilidade de prorrogação por mais dez dias, dependendo da demanda e das condições de mercado. As unidades afetadas têm produção voltada ao mercado doméstico e possuem capacidade de abate inferior a plantas maiores da empresa, como as de Campo Grande (MS) e Diamantino (MT), que são habilitadas para exportar para diversos países.
Com o redirecionamento de volumes que seriam vendidos à China para os mercados interno e externo, a JBS optou por ajustar a produção de outras unidades. A unidade de Colíder consegue abater de 500 a 550 animais por dia, enquanto a de Juara processa cerca de 650 cabeças diariamente. A empresa não comentou oficialmente o assunto.
Atualmente, a JBS possui 18 de suas 34 plantas de bovinos no Brasil habilitadas para a China. Há pouco mais de uma semana, o CEO da Friboi, marca da JBS focada em carne bovina, informou que a empresa interromperia a fabricação de cortes específicos para os chineses a partir do dia 20 de junho.
Contexto do mercado
Outros frigoríficos brasileiros, como Frigol, Better Beef, Iguatemi Beef e Plena Alimentos, também anunciaram férias coletivas ou redução de abates. Em 2025, a China estabeleceu cotas para seus fornecedores de carne bovina, incluindo Austrália e Estados Unidos, para proteger a produção local. A cota brasileira é de 1,106 milhão de toneladas, bem abaixo dos 1,7 milhão de toneladas exportados em 2025. Dentro da cota, a tarifa é de 12%; o excedente é tributado em 55% adicionais, totalizando 67%.
Embora o fim de junho se aproxime, exportadores avaliam que a cota está perto de ser preenchida porque a China contabiliza as cargas que chegam aos seus portos dentro do ano. Dados do governo chinês de 23 de junho mostraram que o Brasil havia utilizado 65,4% de sua cota até maio. A expectativa é que os importadores chineses retomem as compras apenas em outubro, já que volumes embarcados nos últimos meses de 2026 só chegarão à China no início de 2027.