Frigoríficos brasileiros reduzem abates e concedem férias coletivas com fim da cota chinesa

Com o esgotamento iminente da cota de exportação de carne bovina sem tarifa adicional para a China, frigoríficos brasileiros de diversos estados começam a dar férias coletivas a partir de julho. Empresas como Frigol, Better Beef, Iguatemi Beef e Plena Alimentos já anunciaram a suspensão parcial de abates e da produção de carne bovina, enquanto aguardam a retomada da demanda chinesa, prevista para outubro.

A cota anual estabelecida pela China para o Brasil é de 1,106 milhão de toneladas, volume inferior às 1,7 milhão de toneladas exportadas pelo país em 2025. Dentro da cota, a tarifa é de 12%; acima do limite, a tributação salta para 67%. Segundo dados do governo chinês divulgados em 23 de junho, 65,4% da cota já havia sido preenchida até maio.

A Frigol, uma das cinco maiores processadoras de carne bovina do país, concederá férias coletivas de 18 dias a partir de 1º de julho para quase mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA), que destinava 70% da produção ao mercado chinês. Em outras plantas, a empresa reduzirá os abates em cerca de 20% e projeta manter a operação reduzida em 30% a 40% após o retorno dos empregados.

A Better Beef, com duas unidades em São Paulo, interromperá a produção em Araçatuba de 20 de julho a 10 de agosto. Enquanto isso, a planta de Rancharia (SP), que enviava de 80% a 85% da produção à China, será direcionada para o mercado doméstico e outros países, como Estados Unidos, Chile e Oriente Médio.

A Iguatemi Beef, de Mato Grosso do Sul, dará férias coletivas em julho para cerca de 650 dos 850 funcionários de sua fábrica em Iguatemi. A unidade exporta entre 90% e 95% da carne produzida, sendo 80% para a China. A empresa reforçou estoques para ampliar vendas a outros mercados a partir de julho.

A Plena Alimentos adotará a medida por 21 dias úteis para 1,5 mil trabalhadores em Goiás e Tocantins. Já o Astra Foods, do Paraná, aposta em abastecer o mercado regional com a carne que deixará de exportar para a China nos próximos três meses.

Grandes grupos como Minerva Foods e JBS (controladora da Friboi) também ajustam operações. A Minerva manterá as unidades brasileiras voltadas ao mercado americano, enquanto plantas na Argentina, Uruguai e Colômbia seguirão suprindo a China. A Friboi já interrompeu a produção de cortes específicos para o mercado chinês desde 20 de junho.

Executivos do setor avaliam que, após o preenchimento da cota de 2026, os importadores chineses só devem retomar compras em outubro, quando volumes embarcados no fim do ano chegarão ao país asiático já dentro da cota de 2027. A diversificação de mercados e de cortes é a principal estratégia para minimizar os impactos.

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