A Frimesa, quarta maior produtora e exportadora de carne suína do Brasil, anunciou um plano ambicioso para os próximos quatro anos. A cooperativa, que compete com gigantes como JBS e MBRF, pretende duplicar seus investimentos anuais para R$ 200 milhões, com o objetivo de modernizar processos produtivos e renovar o portfólio, ampliando a participação de itens inovadores e de maior margem de lucro.
Segundo o presidente executivo, Elias José Zydek, a estratégia é garantir a remuneração dos cooperados em um cenário de preços baixos no mercado interno e externo. “Somos um sistema cooperativo. Não sou cobrado para apresentar milhões em resultados, mas por remunerar o produtor”, afirmou durante o Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), em São Paulo.
Foco no mercado interno e inovação
Embora exporte de 25% a 30% da produção para 38 destinos, a Frimesa vê no mercado interno as maiores oportunidades de retorno. Enquanto importadores preferem cortes in natura, no Brasil a cooperativa consegue adaptar a oferta às tendências de consumo. Atualmente, 58% do portfólio é composto por processados tradicionais, como queijos, presuntos e salames, mas a meta é aumentar a fatia de “produtos da inovação”.
Entre os lançamentos previstos para 2026 estão 41 novos itens, incluindo uma barrinha proteica à base de pernil suíno (com 400 g e 20 g de proteína), que será vendida em academias, postos e supermercados a partir de 2027. Outras novidades são o schnitzel (carne suína empanada em tirinhas), linguiças inspiradas em receitas internacionais (como a chistorra espanhola), hambúrgueres especiais e uma linha infantil de iogurtes e bebidas lácteas “5 zeros” (zero açúcar, lactose, gorduras trans, gorduras saturadas e colesterol).
Expansão de longo prazo
O plano de crescimento inclui aumentar em 45% o abate de suínos, elevar a participação no mercado brasileiro de 8,5% para 14% e dobrar o faturamento para R$ 15 bilhões até 2032. A Frimesa já abriu um escritório comercial em São Paulo e investiu R$ 1,35 bilhão na nova unidade de Assis Chateaubriand (PR).
Para enfrentar volatilidades como a queda do dólar e a redução da demanda chinesa, a cooperativa revisou sua estimativa de receita para 2026: de R$ 8,1 bilhões para R$ 7,5 bilhões. Ainda assim, projeta crescimento de 5,6% na receita e de 8% na produção e exportações, com expectativa de abertura de novos mercados como Japão, Coreia do Sul e México.