A Girassol Agrícola, tradicionalmente focada na produção de grãos como soja e milho, está ampliando significativamente sua aposta no cultivo de eucalipto. A empresa, que faturou R$ 1,1 bilhão no último ano, já possui áreas dedicadas à árvore em Mato Grosso e planeja plantar mais 4 mil hectares nos próximos três anos, somando-se aos 10 mil hectares já existentes.
Segundo Gilmar Meneghini, CEO da companhia, o eucalipto já oferece uma rentabilidade superior à dos grãos, impulsionada pelo aquecimento do mercado de biomassa. A demanda crescente das usinas de etanol de milho, que utilizam biomassa para gerar energia térmica, tem elevado os preços do cavaco de madeira. Atualmente, o metro cúbico do cavaco saltou de R$ 30 em 2019 para R$ 140, e a margem do eucalipto é duas vezes maior que a da soja.
O cultivo de eucalipto começou há 18 anos na Girassol, inicialmente como alternativa para áreas não aptas aos grãos. Em 2019, com a instalação das primeiras usinas de etanol de milho em Mato Grosso, a empresa percebeu o potencial e expandiu a produção. Hoje, vende 1 milhão de metros cúbicos de cavaco para a FS e possui 10,5 mil hectares de floresta, que devem gerar R$ 1 bilhão em receita até 2031.
O investimento nas novas áreas será de R$ 18 mil a R$ 20 mil por hectare, totalizando até R$ 80 milhões. A empresa planeja financiar boa parte com recursos próprios, devido aos juros elevados, mesmo em linhas de crédito subsidiadas. A geração de caixa com soja, milho e algodão deve garantir os recursos necessários.
O cenário é impulsionado por uma regra do governo de Mato Grosso, que proibirá o uso de floresta nativa para biomassa a partir de 2035, visando conter o desmatamento. Como o eucalipto leva de seis a sete anos para amadurecer, a demanda deve se manter aquecida nos próximos anos. Meneghini acredita que a procura por biomassa continuará alta por cinco a oito anos, mesmo sem novas usinas, apenas para atender as unidades em instalação.