Governo adota controle de ciclo completo para exportação de carnes à União Europeia

O Ministério da Agricultura informou a representantes do setor frigorífico brasileiro que deve implementar a partir de 1º de julho um modelo de controle de ciclo completo de vida dos animais cujas carnes serão exportadas para a União Europeia. A medida visa atender a uma exigência do bloco para garantir que os produtos estejam livres de antimicrobianos e insumos proibidos pelos europeus.

A expectativa é que o controle viabilize o retorno da autorização para os embarques de carne de aves, que têm ciclo curto de 30 a 40 dias, possivelmente revertendo a proibição prevista para 3 de setembro de 2026. Em 2025, as vendas do setor aos europeus somaram US$ 762,9 milhões, com 230,3 mil toneladas enviadas.

No entanto, a decisão desagradou os exportadores de carne bovina, que não foram contemplados pelo modelo. A comprovação do não uso de antimicrobianos em bovinos, abatidos entre 24 e 36 meses para a Europa, exigiria um protocolo privado homologado recentemente, mas que só atenderia animais nascidos agora — abatidos daqui a pelo menos dois anos. Com isso, as vendas ficariam suspensas por cerca de dois anos, impactando perto de US$ 1 bilhão anuais.

O setor defendeu um prazo de transição com manutenção de embarques de animais com rastreabilidade nos últimos nove meses, mas o pedido não foi aceito pelos europeus. O Ministério ainda não respondeu oficialmente.

Em reunião de última hora, o governo informou que a equipe técnica da Secretaria de Defesa Agropecuária esteve na Europa esta semana, mas os europeus mantiveram postura rígida, afirmando não confiar nas autoridades brasileiras. O presidente Lula tratou do tema com Ursula von der Leyen, mas sem efeito prático.

Setores insatisfeitos cogitam pressionar o Congresso para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica contra os europeus, com possíveis barreiras comerciais. Outros mencionam articular com o vice-presidente Alckmin, avaliando que as áreas técnica e política do Ministério da Agricultura estão fragilizadas.

A fiscalização pretende rodar o modelo de controle sobre o não uso de antimicrobianos no ciclo completo a partir de 1º de julho, com resultados para aves esperados em agosto, a tempo de evitar o bloqueio em setembro. Contudo, não há garantia de retorno imediato. O modelo deve ser discutido novamente com as autoridades europeias para verificação e possível reabilitação.

Fontes criticam que a exigência não foi imposta a outros países como Argentina, Uruguai, Paraguai, EUA e Austrália, e apontam uma política clara para vetar a carne bovina brasileira. A Europa quer garantias de controle oficial, com fiscalização nas granjas e testagem por amostragem, ainda incerta. Outras cadeias como mel, ovos e equídeos devem demorar mais para retomar as exportações.

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