Com o avanço acelerado dos preços domésticos, o governo da Índia autorizou oficialmente uma cota de importação de açúcar de 1 milhão de toneladas isenta de tarifas para a safra 2025/26. A decisão, anunciada em 20 de agosto de 2026, visa aliviar a pressão dos recordes de preços no mercado interno.
De acordo com a consultoria StoneX, os preços do açúcar em Kolhapur (Maharashtra) saltaram de 4.100 rúpias por quintal no início do período das monções para 6.400 rúpias, uma valorização de 56%, renovando máximas históricas. Os estoques indianos estavam em patamares baixos, com apenas 4,9 milhões de toneladas, o equivalente a dois meses de consumo.
“Esperava-se que, sem importações, a Índia poderia chegar ao final de setembro de 2026 com estoques próximos a 4 milhões de toneladas. Os meses de outubro e novembro, no início da colheita, caminhariam para disponibilidade mínima de açúcar em um momento de importantes festivais e feriados no país”, destacou a StoneX em nota.
Com a oferta restrita na Índia, os preços internacionais do açúcar já operam próximos a 18 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York, maior patamar desde abril de 2025. A autorização de importação ocorre em um cenário de tensão no mercado global, com chuvas abaixo da média no Hemisfério Norte — 10% a menos na Índia — e quebra de safra prevista na Tailândia para 2026/27. A situação é ainda mais crítica na União Europeia, que enfrenta uma das piores estiagens de sua história, com temperaturas elevadas.
Para a StoneX, o bloco europeu terá maior necessidade de importação de açúcar, especialmente nos três primeiros trimestres de 2027, o que favorece a tendência de alta para os preços do açúcar refinado no mercado mundial.