O Ministério da Agricultura adotou uma estratégia inédita para ampliar os números do Plano Safra 2026/27, incorporando R$ 38,5 bilhões de fontes que não integram o crédito rural oficial. Com isso, a pasta conseguiu anunciar um montante recorde de R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial em ano eleitoral, superando os R$ 516,2 bilhões do ciclo anterior.
Sem esses recursos extras, as linhas destinadas a médios e grandes produtores somariam R$ 486,6 bilhões — valor inferior ao da temporada 2025/26. A manobra incluiu R$ 10 bilhões do programa Move Agricultura (gerido pela Finep, com recursos do FNDCT) e R$ 28,5 bilhões do Ecoinvest Brasil, programa voltado à recuperação de pastagens degradadas.
De acordo com o material oficial divulgado no Palácio do Planalto, os recursos da Finep e do Ecoinvest foram classificados como “com juros controlados não equalizados”. Eles representam exatamente o acréscimo nas linhas de investimento em relação ao ano passado — de R$ 101,7 bilhões para R$ 140,2 bilhões (alta de 38%).
O Move Agricultura foi anunciado em abril na Agrishow com R$ 10 bilhões, e posteriormente ampliado para R$ 14 bilhões na Bahia Farm Show. O ministério optou por incluir o menor valor no Plano Safra. Já o Ecoinvest captou R$ 30,2 bilhões em leilão em agosto de 2025, dos quais R$ 1,7 bilhão já foram utilizados; os R$ 28,5 bilhões restantes foram contabilizados no novo plano.
Fontes do mercado financeiro questionam a inclusão, afirmando que esses programas não se enquadram nas definições de crédito rural do Manual de Crédito Rural (MCR) e, portanto, não seguem as mesmas regras de prorrogação ou renegociação. O CMN não votará resolução específica para o Move Agricultura, que ainda depende de medida provisória para ser criado e regulamentado.