Uma paralisação dos serviços de pilotagem está bloqueando a entrada e a saída de navios em todos os portos de grãos da Argentina, segundo informações da Cámara de la Industria Aceitera de la República Argentina (CIARA) e do Centro de Exportadores de Cereales (CEC). Se a greve persistir, o prejuízo pode chegar a milhões de dólares por dia, afetar produtores locais e beneficiar concorrentes como o Brasil.
O presidente da CIARA-CEC, Gustavo Idígoras, afirmou em publicação na rede social X, nesta terça-feira (4/8), que 45 navios estão parados à espera de atracação nos portos do país. Caso a situação não seja resolvida ainda hoje, outros 30 navios poderão ser afetados.
Segundo o jornal argentino La Nación, a interrupção dos serviços de pilotagem ocorre devido ao descontentamento dos práticos — profissionais responsáveis por orientar a entrada e saída de navios — com um decreto do governo que alterou as regras da atividade. Os trabalhadores alegam que as mudanças desregulamentam o serviço, ampliam a concorrência e podem comprometer a segurança da navegação.
O setor de exportação agrícola estima que os 45 navios parados provoquem prejuízos de US$ 4,5 milhões por dia. O valor pode dobrar para US$ 9 milhões caso a paralisação persista por mais um dia. Os práticos afirmam que não estão em greve, mas que estão indisponíveis para prestar serviços enquanto analisam as implicações do decreto.
Idígoras destacou que os trabalhadores não apresentaram reivindicações ao setor: “Não há um pedido salarial. Além disso, nós não somos a contraparte deles. Eles prestam um serviço às agências marítimas”. Ele avalia que a situação prejudica a imagem da Argentina, importante fornecedora global de grãos, e pode colocar em risco o cumprimento de contratos de exportação.
O executivo alertou que a Argentina pode entrar em uma lista de países considerados inseguros para o cumprimento de compromissos comerciais, beneficiando concorrentes diretos, como o Brasil. Ele também destacou que os atrasos afetam toda a cadeia de suprimentos: “O impacto é total. Isso afeta 100% das operações de todos os navios do país”.
Se a paralisação continuar, os efeitos chegarão aos agricultores argentinos. “Os produtores também terão problemas para entregar seus grãos ao porto, porque a capacidade de armazenamento também é limitada e logo será sobrecarregada”, alertou Idígoras.