O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) lançou um guia voltado para frigoríficos e redes de atacado e varejo com recomendações para evitar a compra de gado oriundo de pecuária ilegal em terras indígenas na Amazônia. O documento de 60 páginas, elaborado em parceria com a consultoria Tewá 225, busca fortalecer a rastreabilidade e criar políticas de gestão de risco.
“As terras indígenas têm papel fundamental na prevenção da perda de vegetação nativa e de biodiversidade, e esse guia busca garantir que as relações comerciais do setor frigorífico contribuam para que a pecuária ilegal em terra indígena não aconteça”, explica a diretora técnica e sócia da Tewá 225, Fernanda Mallak.
O guia apresenta um passo a passo para a criação de um programa de monitoramento das compras de gado, além de um mapeamento das áreas de maior risco dentro da Amazônia Legal, baseado em mais de dez critérios como volume de produção e proximidade de terras indígenas. Segundo Maurício Forlani, coordenador de Projetos do Imaflora, o material oferece um “arcabouço completo” para solucionar o problema.
Embora a legislação e o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) já prevejam embargo para empresas que adquiram gado de áreas sobrepostas a terras indígenas, o guia não é um protocolo obrigatório, mas uma série de boas práticas. Forlani destaca que o monitoramento dos fornecedores indiretos ainda é um desafio, especialmente para frigoríficos de menor porte, e o guia busca trazer luz a essa questão.
O objetivo, segundo os responsáveis, não é excluir áreas de risco da cadeia de fornecimento, mas garantir uma pecuária sustentável e socialmente responsável. “A gente quer transformar a cadeia e todos os elos. A ideia é identificar zonas de problema e atuar de forma transversal”, completa Forlani. O guia está disponível gratuitamente no site do Programa Boi na Linha.