Horta urbana do Instituto Zeca Pagodinho em Xerém ganha destaque e rende título de embaixador ao cantor

Em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o cantor Zeca Pagodinho transformou um terreno ocioso em um polo de agricultura urbana, capacitação e segurança alimentar. A Horta Xerém I, iniciativa do Instituto Zeca Pagodinho — fundado pelo artista em 1999 —, já conta com mais de 11 mil mudas de hortaliças e tem potencial para produzir até 40 toneladas de alimentos por ano.

O espaço abastece cozinhas solidárias da região e se tornou o carro-chefe do programa de sustentabilidade do instituto, unindo produção de alimentos, geração de renda e formação de agricultores.

Projeto rendeu título de embaixador

Em setembro de 2026, Zeca Pagodinho recebeu o título de Embaixador da Agricultura Urbana e Periurbana. A homenagem foi entregue pela ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Para mim, as coisas vão acontecendo. Eu sempre gostei de ajudar, seja com cestas básicas, seja com ações de distribuição de brinquedos, ovos de Páscoa e outras iniciativas”, afirmou o cantor à Globo Rural. “O terreno estava parado. Então, pensamos: vamos em frente e vamos tocar o projeto. É muito bonito passar lá de manhã e ver tudo verdinho e as pessoas participando”, completou.

O que é cultivado na horta

Entre as espécies cultivadas na Horta Xerém I estão abóbora italiana, acelga, alface, beterraba, brócolis e escarola, além de frutas como acerola, araçá, carambola, grumixama, manga Palmer e tangerina Ponkan.

A escolha das culturas leva em conta os hábitos de consumo da população local. “Estamos sempre fazendo mudanças, porque percebemos que muitas folhas e legumes bastante consumidos em São Paulo não têm a mesma procura no Rio. Então, estamos adaptando o cultivo de acordo com a demanda”, explica Louiz Carlos, presidente do instituto e filho do cantor.

Expansão e projetos futuros

A horta ocupa uma área cedida pelo próprio Zeca Pagodinho e conta com a participação do Ministério da Agricultura e do MDA. Dos 21 mil metros quadrados disponíveis, 8 mil já são utilizados pelo projeto.

Entre os planos de expansão estão o plantio de cacau e café, a implantação de um sistema agroflorestal com árvores frutíferas, a produção de mudas e insumos orgânicos para comercialização, além de ações de reflorestamento. A intenção é transformar o local em uma unidade pedagógica para receber estudantes e capacitar agricultores.

Como o projeto começou

Desde a fundação, em 1999, o Instituto Zeca Pagodinho desenvolve programas musicais voltados à comunidade, além de cursos de formação e ações de empregabilidade. A ampliação dessa atuação ganhou força em 2020, durante a pandemia, quando a equipe passou a discutir iniciativas para diferentes faixas etárias e incorporou a sustentabilidade e a educação socioambiental entre as prioridades.

“Sempre digo que o instituto nasceu de inquietações do meu pai”, conta Louiz. A preocupação com o desperdício de recursos naturais, especialmente da água, motivou a estruturação de projetos de reflorestamento e cultivo de alimentos em pequenos espaços. Em 2023, o instituto realizou o primeiro curso de hortas em pequenos espaços, iniciativa que ajudou a consolidar o trabalho com agricultura urbana.

Parcerias e capacitação

O projeto também recebe apoio de emendas parlamentares destinadas pelas deputadas Benedita da Silva e Talíria Petrone. Os recursos financiam o funcionamento da horta e sua estruturação como unidade pedagógica.

A Horta Xerém I conta ainda com a parceria da organização não governamental Cidades Sem Fome (CSF), que transforma áreas urbanas ociosas em espaços de cultivo de alimentos e geração de renda. Atualmente, três pessoas trabalham na horta, com expectativa de ampliar a equipe para seis.

Em paralelo, o instituto desenvolve duas iniciativas de capacitação para agricultores da região: uma em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e outra com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A proposta é unir conhecimento técnico, produção sustentável e inclusão social em um só espaço.

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