Hortifrúti enfrenta desafios climáticos e busca oferta estável com integração entre produtores e varejo

O setor de hortifrúti brasileiro — que engloba frutas, flores, legumes, verduras e ovos — está mobilizado para reduzir perdas, melhorar a previsibilidade da produção e fortalecer a parceria entre produtores e varejo diante dos impactos das mudanças climáticas. A avaliação é de Valeska Oliveira, country manager da International Fresh Produce Association (IFPA) no Brasil, durante a abertura da décima edição da feira The Brazil Conference & Expo, realizada em São Paulo nos dias 4 e 5 de agosto de 2026.

Segundo Oliveira, a maior frequência de eventos climáticos extremos exige planejamento conjunto entre os elos da cadeia. “A previsibilidade será um dos principais temas para os próximos seis meses. O El Niño faz com que tanto o produtor quanto o varejista tenham mais diálogo e interação para essa previsibilidade”, afirmou em entrevista à Globo Rural.

A executiva destacou que produtores e varejistas precisam intensificar o diálogo para melhorar o abastecimento, fortalecer a cadeia do frio e reduzir perdas e rupturas nas gôndolas. “Olhamos para gestão climática, redução de perdas e de rupturas. É preciso olhar para a cadeia do frio, para o abastecimento e para essa conversa entre produtor e varejo. Essa previsibilidade precisa ser conjunta, já que todo mundo quer a mesma coisa: vender mais”, disse.

O segmento movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano no Brasil, mas enfrenta pressão sobre as margens devido ao aumento dos custos de frete, embalagens e ao menor poder de compra dos consumidores. Apesar disso, Oliveira avalia que o cenário segue favorável por causa da busca por alimentos mais saudáveis e da mudança no perfil de consumo.

Comércio exterior e oportunidades

No mercado externo, as exportações brasileiras de frutas cresceram 20,64% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas), impulsionadas principalmente pela maçã. Para os próximos meses, Oliveira destaca a uva, a manga e o melão como produtos com maior potencial de expansão.

Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a parte dos produtos brasileiros, especialmente à uva, a executiva afirma que o setor trabalha para diversificar os destinos das exportações e reduzir a dependência de mercados específicos. Além da Europa, outros mercados podem absorver parte da produção, enquanto exportadores e importadores negociam formas de dividir os custos adicionais provocados pelas tarifas.

Oliveira também vê oportunidades na aproximação comercial entre Mercosul e União Europeia para aumentar a competitividade das frutas brasileiras. Outro avanço observado é a mudança no perfil dos produtores, que passaram a investir mais em marca, embalagem, diferenciação e rastreabilidade, acompanhando a demanda por alimentos seguros e de maior valor agregado.

A décima edição da IFPA reúne mais de 200 expositores e representantes de toda a cadeia de frutas, flores, legumes, verduras e ovos, além de delegações internacionais de países como Chile, Peru, Argentina e Canadá.

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