Importadores europeus estocam frango brasileiro antes de suspensão por antimicrobianos

Empresas exportadoras de frango do Brasil intensificaram as vendas para a União Europeia nos últimos meses, diante da iminente suspensão das importações pelo bloco, prevista para esta quinta-feira (3). A medida foi anunciada em maio pela Comissão Europeia, que retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal, alegando falhas na comprovação do controle do uso de antimicrobianos na cadeia produtiva.

Segundo fontes do setor, os importadores europeus formaram estoques que devem ser suficientes para pelo menos o mês de setembro. Pelas regras estabelecidas, a Europa aceitará todo o frango produzido e certificado no Brasil até 2 de setembro, o que deve amortecer o impacto imediato da suspensão nos embarques.

Em maio, a Comissão Europeia justificou a decisão afirmando que o Brasil não cumpriu as exigências quanto ao uso de antimicrobianos, incluindo a proibição de medicamentos usados como promotores de crescimento ou no tratamento de infecções humanas ao longo da vida do animal. Desde então, o governo brasileiro tentou reverter o impasse, propondo um período de transição, rejeitado pelos europeus, e homologando um protocolo privado de exportação de bovinos livres de antimicrobianos, sem sucesso até agora.

A comitiva de autoridades europeias que visita plantas e granjas de frango no Brasil desde a semana passada deve se reunir com o Ministério da Agricultura na sexta-feira (4), mas não se espera uma reversão imediata da suspensão. A retomada das compras de frango e mel brasileiros pode ocorrer em novembro, durante reunião do comitê europeu que trata do assunto.

Os dados de exportação mostram um aumento expressivo nos embarques de frango para a Europa nos últimos meses, enquanto as vendas para outros destinos, como Emirados Árabes, Japão e México, caíram. Em julho, o Brasil enviou 36,9 mil toneladas de frango à UE, mais de sete vezes o volume do mesmo mês de 2025, quando as exportações ainda estavam suspensas devido a um caso de gripe aviária. No acumulado de janeiro a julho, as vendas somaram quase 226,5 mil toneladas, alta de 73,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Parte desse aumento pode ser atribuída ao direcionamento de volumes de outros mercados tradicionais. Especialistas avaliam que os estoques formados pelos importadores europeus ajudam a suavizar os efeitos da suspensão, enquanto o setor aguarda uma solução diplomática e técnica para o impasse.

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