Inadimplência no crédito rural se aproxima de novo recorde, atingindo 7,6% em maio

Em maio, a inadimplência no crédito rural para pessoas físicas subiu para 7,6%, segundo dados do Banco Central (BC). O índice, que mede atrasos superiores a 90 dias, está próximo do recorde histórico de 7,7% registrado em março. Na comparação com maio de 2025, quando a taxa era de 1,6%, o crescimento foi de quase cinco vezes.

Entre as pessoas jurídicas, a inadimplência permanece controlada em 0,8%, bem abaixo do pico de 5,9% observado em meados de 2019. Considerando apenas operações com taxas de mercado, o índice para pessoas físicas foi de 13,4% em maio, repetindo o resultado de abril. Já nas operações com taxas reguladas, a inadimplência subiu de 3,3% para 3,4% no mesmo período.

O saldo problemático do crédito rural — que inclui operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas — também cresceu, passando de R$ 188 bilhões em abril para R$ 201,8 bilhões em maio. Esse montante representa quase 23% da carteira ativa de financiamentos agropecuários, ante 21% no mês anterior. O destaque foi o aumento das operações prorrogadas, que saltaram de R$ 28,5 bilhões para R$ 38,4 bilhões no período.

O endividamento do setor tem gerado pressão sobre o governo e o Congresso. Produtores do Rio Grande do Sul realizaram manifestações e reuniões com parlamentares em Brasília para defender a aprovação do Projeto de Lei 5.122/2023, que trata da renegociação das dívidas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que apresentará uma nova proposta para o programa Desenrola voltado ao campo, mas ressaltou a necessidade de focar em produtores com dificuldades reais, evitando renegociações amplas que possam comprometer o sistema financeiro e as contas públicas.

No setor produtivo, há receio de que a nova proposta não tenha alcance suficiente. No ano passado, a Medida Provisória 1.314/2025 liberou apenas metade dos R$ 12 bilhões disponíveis devido a limitações e burocracia. Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defendem uma renegociação ampla com uso de fundos públicos, sem impacto direto no orçamento. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o escopo do projeto foi ampliado no Senado e que buscará um texto consensual com o governo. No entanto, a equipe econômica está cética quanto a um acordo, especialmente após a aprovação de um texto mais amplo no Senado sem o aval da Fazenda.

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