Indústria de fertilizantes busca subsídio de até R$ 2 bilhões para importar enxofre e garantir safra de soja

A indústria brasileira de fertilizantes está mobilizando esforços junto ao governo federal para obter uma subvenção temporária para a compra de enxofre, matéria-prima essencial na produção de fertilizantes fosfatados. O setor estima que um aporte emergencial, entre R$ 900 milhões e R$ 2 bilhões, poderia evitar perdas econômicas de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões para o país, decorrentes da queda na produtividade agrícola na safra 2026/27.

A proposta, apresentada pelo Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), prevê um subsídio de três meses para cobrir parte da diferença entre o preço atual do enxofre e um patamar considerado viável para a indústria. Atualmente, o preço do enxofre, que era de cerca de US$ 80 por tonelada em 2024, disparou para US$ 1,2 mil durante a crise no Oriente Médio e recuou para aproximadamente US$ 800 a tonelada.

“Hoje, temos um consumo mensal de cerca de 250 mil toneladas de enxofre e 60 mil toneladas de ácido sulfúrico. Pedimos ao governo uma subvenção de 50% do valor pago pelo importador na compra do enxofre, com um teto de US$ 700 por tonelada”, explicou Elias Alves Lima, presidente do Sinprifert, durante o 13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes em São Paulo.

O mecanismo proposto é inspirado em intervenções anteriores, como a do diesel, e seria implementado por medida provisória. A subvenção equivaleria a 85% do excedente quando o preço do enxofre (incluindo frete) ultrapassar US$ 500 por tonelada e o do ácido sulfúrico passar de US$ 152 por tonelada. A medida seria limitada a compras de 600 mil toneladas de enxofre e 150 mil de ácido, divididas em cotas trimestrais.

A proposta foi discutida com o ministro da Agricultura, André de Paula, que solicitou um detalhamento dos impactos econômicos para apresentação na próxima reunião da sala de situação do governo sobre fertilizantes. Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic no Brasil, afirmou que a medida pode evitar perdas de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões, decorrentes da redução na adubação e consequente queda na produtividade, especialmente da soja.

Segundo a Agroconsult, a demanda por fertilizantes no Brasil deve cair 7,6% em 2026, para 45,3 milhões de toneladas. A Mosaic estima vendas entre 42 milhões e 45 milhões de toneladas, com redução direta de produtividade de 5% a 7%. O Sinprifert alerta que, se essa redução se refletir na produção e exportação de soja, o país pode perder entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3,5 bilhões em divisas em um único ciclo agrícola.

Com o ciclo de importação do enxofre levando de 60 a 90 dias, o setor pressiona por uma decisão ainda em 2026, apesar do calendário eleitoral. Não há nova reunião agendada, mas a urgência cresce com a aproximação do período de formação de estoques para a próxima safra.

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