Inovação tecnológica avança em meio à crise global, afirma especialista

Em momentos de incerteza econômica e crises globais, a tecnologia tende a dar seus maiores saltos. A afirmação é do pesquisador e professor Paulo Vicente Alves, da Fundação Dom Cabral, durante o evento “Arena Impacto – Shaping the Future”, promovido por Valor e Globo Rural em São Paulo, com apresentação da Solinftec.

Segundo Alves, “só se investe em tecnologia quando um modelo [econômico] está esgotado e se torna necessário criar algo novo”. Pressionadas pelas circunstâncias, as organizações intensificam os investimentos em inovação, acelerando drasticamente o desenvolvimento tecnológico. O mundo vive exatamente essa fase atualmente.

Nos últimos 250 anos, cinco grandes ciclos tecnológicos se sucederam. O atual começou em 2018 e tem previsão de durar até 2030, marcando o esgotamento das estruturas econômicas dominantes e abrindo caminho para uma nova ordem global. O período mais agudo da crise se estende de 2023 a 2026, mas a expectativa é de melhora nos próximos quatro anos.

O conceito por trás desse movimento é a “destruição criativa”: a tecnologia chega, destrói setores e gera desemprego temporário, mas depois cria novas empresas e mais empregos do que antes. Um exemplo é a substituição da telefonia fixa pela celular no Brasil, que inicialmente causou sobressalto, mas resultou em um setor mais acessível e com mais oportunidades.

Alves também abordou a substituição de pessoas pela inteligência artificial, destacando a necessidade urgente de requalificação profissional. “Vai sobrar emprego, mas vai faltar qualificação”, alertou. Ele ressaltou que não é possível ensinar algo que ainda não foi criado, mas é essencial que os trabalhadores dominem as ferramentas atuais para evitar um abismo técnico futuro.

O pesquisador traçou um cenário de ficção científica para o século XXI, com desafios como a escassez de recursos naturais e o envelhecimento da população global. No Brasil, a redução populacional deve começar em 2050. Como resposta, aposta na medicina preditiva e regenerativa, que pode ampliar a expectativa de vida para 120 a 150 anos, e na corrida espacial para extração de minerais. A produção de alimentos, no entanto, continuará dependente do solo terrestre, o que favorece a América Latina e, especialmente, o Brasil.

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