Aliar o melhor desempenho do rebanho leiteiro à sustentabilidade é um desafio de vários agentes ligados à cadeia produtiva. Durante a Agroleite, feira voltada para o setor, realizada pela Cooperativa Castrolanda em Castro (PR) entre 3 e 7 de agosto, inovações com foco na pecuária sustentável foram destacadas em debates, palestras e apresentações.
Para Renata Fernandes, gerente de Sustentabilidade da Elanco Saúde Animal, não há como separar os aspectos operacionais, econômicos e ambientais na condução da atividade pecuária. “Não dá para ser ‘verde’, se o produtor estiver no ‘vermelho’. Ele precisa ter resultado no seu trabalho”, salienta.
Renata explica que o programa Eficiência Positiva+ da Elanco, lançado no ano passado, visa fomentar a pecuária sustentável com base nesses três pilares. O objetivo é apoiar o produtor na adoção de tecnologias que aumentam a produtividade e a rentabilidade do negócio, ao mesmo tempo em que reduzem impactos ao meio ambiente e usam recursos naturais de maneira mais sustentável e inteligente.
Um dos propósitos é olhar para ferramentas que possibilitem que o produtor mensure, acompanhe e comprove resultados de práticas e escolhas mais sustentáveis no processo produtivo. O manejo nutricional pode fazer parte da estratégia. Renata cita um dos produtos veterinários da Elanco que é certificado como mitigador da emissão do gás metano proveniente da pecuária, após pesquisas realizadas não só em laboratórios, mas no campo, com apoio de instituições como a Embrapa.
“No Brasil, temos biomas específicos e esses aspectos regionalizados precisam ser considerados nas metodologias e nos programas de sustentabilidade”, analisa. A gerente reitera que é importante que o produtor tenha acesso a processos claros de medição para que possa ser reconhecido por práticas sustentáveis, visando agregar valor à atividade.
Uma tecnologia que não utiliza energia para realizar o pré-resfriamento do leite também está entre as inovações para o setor. “É um equipamento que reduz a temperatura do leite logo após a coleta na ordenha, processo que antecede a entrada do produto no tanque para o resfriamento final”, detalha João Pedro Gontijo Moreira, diretor comercial e de marketing da Serap, empresa do segmento de tanques de resfriamento de leite e tanques de processamento industrial.
Segundo a empresa, com o pré-resfriamento o tanque trabalha menos ao receber o leite em temperaturas próximas às ideais — dessa maneira, gasta menos energia para levar a proteína à temperatura correta. O pré-resfriador de leite utiliza água da própria fazenda em um sistema de troca de calor que faz com que o leite fique entre os canos de água fria, resfriando, assim, sua temperatura.
“Uma vez instalado o pré-resfriador, o produtor não tem mais gastos com esse processo, pois tudo é feito utilizando um recurso natural já disponível na fazenda”, afirma Moreira. Ele explica ainda que a etapa que antecede a entrada do leite no tanque reduz o esforço dos compressores para resfriar o produto, o que possibilita a economia de energia.