Um estudo de longo prazo conduzido no Rio Grande do Sul comprova que a integração entre pecuária e agricultura proporciona maior retorno financeiro ao produtor do que a realização das duas atividades de forma separada. A pesquisa, apresentada durante a XXI Jornada Nespro e II Congresso de Criadores, em Porto Alegre, baseia-se em um experimento de 25 anos em lavouras de soja gaúchas.
Os dados revelam que a produtividade da soja variou bastante conforme o clima: em anos favoráveis, ultrapassou 70 sacas por hectare; em períodos de seca, caiu para menos de 10 sacas. A média histórica foi de 47 sacas por hectare. Porém, quando o gado é incorporado ao sistema para pastejar a cobertura de inverno, o resultado financeiro melhora significativamente.
Convertendo os ganhos da pecuária em equivalentes de soja, o rendimento médio salta para 73 sacas por hectare. Em anos bons, isso representa mais que o dobro do faturamento isolado da lavoura. Já nos períodos de estiagem, enquanto a agricultura sozinha gerou prejuízo de US$ 215 por hectare, o sistema integrado assegurou lucro de US$ 189 por hectare. “No ano em que acontece essa perda, a propriedade agrícola entra na UTI e dificilmente sai. O gado mantém a estabilidade do sistema”, afirmou o pesquisador responsável, professor do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Além da segurança financeira, o estudo aponta benefícios ambientais. Utilizando análise de solo em 3D, os cientistas descobriram que o pastejo moderado aumenta a conexão entre os macroporos do solo, melhorando a capacidade de captar e armazenar água. As mudanças físico-químicas e biológicas promovidas pelos bovinos resultaram em incremento de 14% na retenção hídrica do solo. A diversidade biológica também cresceu: a presença de fungos desejáveis aumentou em 140%, facilitando a absorção de fósforo pela soja e elevando progressivamente a produtividade da leguminosa.
O trabalho reforça a importância dos sistemas integrados de produção como estratégia para enfrentar adversidades climáticas e econômicas, garantindo renda e sustentabilidade ao campo.