O inverno começa oficialmente neste domingo (21/6), às 5h25 (de Brasília), mas o frio, principal característica da estação, já se faz presente em boa parte do Brasil. Impulsionada por uma forte massa de ar polar, a semana foi marcada por geadas e termômetros abaixo de zero no Sul e no Sudeste. Em Bom Jardim da Serra (SC), a mínima chegou a -7,3°C na madrugada da última quinta-feira (18/6), a menor do país em 2026, segundo dados da Defesa Civil de Santa Catarina e da Epagri/Ciram.
Além das baixas temperaturas, o inverno deste ano traz um fator extra de atenção: o El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do fenômeno em 11 de junho e alertou para o risco de um evento de forte intensidade.
Segundo o meteorologista Celso Luis de Oliveira Filho, da Tempo OK, o El Niño deve interferir diretamente no comportamento da nova estação. “O inverno é caracterizado pela redução das chuvas em grande parte do território nacional, especialmente no Centro-Oeste, Sudeste e interior do Nordeste. As massas de ar frio mais intensas também avançam com frequência, provocando quedas de temperatura no Sul e Sudeste e até episódios de friagem no Norte. Mas agora os modelos indicam um cenário diferente”.
A tendência é de aumento gradual da influência do El Niño ao longo dos próximos meses. Com isso, algumas características tradicionais do inverno tendem a perder força, enquanto outras serão intensificadas. Veja os principais pontos:
- Mais chuva no Sul
- Retorno irregular da chuva em partes do Sudeste e Centro-Oeste
- Temperaturas acima da média em grande parte do Brasil
- Maior risco de seca e queimadas no Norte, Centro-Oeste e interior do Nordeste e Sudeste
- Redução das chuvas em áreas do Nordeste
- Eventos extremos associados ao excesso ou à falta de chuva
Guilherme Borges, meteorologista da FieldPRO, destaca a preocupação com a duração do fenômeno: “Eventos assim costumam permanecer entre 12 a 18 meses. Quanto mais tempo fica acoplado à atmosfera, maiores tendem a ser os efeitos, como ondas de calor e chuvas intensas”.
Previsão por região
Sul
Chuva: volumes mais frequentes e volumosos, especialmente entre agosto e setembro, com risco de temporais e enchentes. Temperatura: próxima ou ligeiramente abaixo da média, com alternância entre períodos amenos e frio intenso, formando uma verdadeira “gangorra térmica”.
Sudeste
Chuva: episódios isolados em São Paulo e sul de Minas Gerais, com umidade atípica para a época. Temperatura: afetada pelo frio, mas a partir de agosto acima da média devido a massas de ar quente. Geadas moderadas são esperadas no interior de São Paulo e sul de Minas.
Centro-Oeste
Chuva: período seco mantido em 2026, mas com possíveis volumes elevados em julho. Temperatura: redução da chuva favorece tardes quentes e baixa umidade, com risco de friagem quando massas polares avançarem.
Norte
Chuva: inverno mais seco que o normal, especialmente na parte sul da Amazônia, aumentando o risco de estiagens e queimadas em Rondônia, Acre, Tocantins e sul do Amazonas e Pará. Temperatura: dentro da normalidade, mas com possibilidade de friagem no Acre, Rondônia e Amazonas.
Nordeste
Chuva: interior com volumes na média, mas leste do litoral com chuva abaixo da média. Temperatura: acima da média, como é característico da região.
Olho na agricultura
Apesar de influência limitada neste momento, o El Niño exige atenção dos produtores rurais. No Sul, os maiores volumes de chuva aumentam a umidade do solo e favorecem doenças fúngicas, dificuldades operacionais e prejuízos na colheita das principais culturas.