O mercado pecuário brasileiro encerrou o mês de junho de 2026 com sinais de enfraquecimento, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Compradores e vendedores mantiveram-se em compasso de espera em diversas regiões, enquanto pecuaristas adiam o retorno ao mercado na expectativa de reajustes.
No último dia do mês, o indicador Cepea/Esalq do boi gordo, referente a negócios em São Paulo, fechou a R$ 336,40 a arroba, uma queda acumulada de 3,80% em junho. Já o preço do bezerro no Mato Grosso do Sul recuou 0,94%, para R$ 3.387,19 por cabeça.
A Scot Consultoria monitora 33 regiões; delas, 20 registraram quedas no preço do boi gordo, enquanto 13 permaneceram estáveis. Em Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências do setor, o valor caiu R$ 3, para R$ 337 a arroba no pagamento a prazo. O chamado “boi China” e a vaca também perderam R$ 3, para R$ 342 e R$ 312 a arroba, respectivamente. A cotação da novilha não se alterou.
Por regiões, o Pará e o noroeste do Paraná mantiveram preços estáveis. Em Goiânia (GO), Sorriso (MT) e Rondonópolis (MT), a arroba do boi caiu R$ 5. Já no Rio Grande do Sul, os valores seguem firmes, sustentados pela baixa oferta de animais prontos para o abate.
De acordo com a Safras & Mercado, os frigoríficos seguem ajustando suas estratégias diante do esgotamento precoce das cotas chinesas de importação de carne bovina. Pequenas e médias indústrias anunciaram férias coletivas, enquanto outras operam com maior ociosidade, reduzindo o volume diário de abates. “A intenção é adequar a produção a uma realidade em que o grande comprador de carne bovina brasileira estará ausente”, afirma Fernando Iglesias, analista da Safras.
No mercado atacadista, os preços ficaram acomodados. A expectativa é de que a entrada dos salários na economia, na primeira quinzena de julho, estimule a reposição entre atacado e varejo e impulsione uma recuperação das cotações.