Durante o painel “Quem vai liderar a inovação” do Arena Impacto, realizado em São Paulo no dia 3 de setembro de 2026, executivos dos setores de bebidas, educação e mobilidade reforçaram que a inteligência artificial (IA) deve ter as pessoas como ponto de partida e finalidade. O evento, promovido por Globo Rural e Valor Econômico com apresentação da Solinftec, discutiu aplicações concretas da IA e seus paralelos com o agronegócio.
Paula Harraca, CEO do Ânima Educação, afirmou que a IA é um meio e que é preciso definir “o que não queremos que ela faça”. Para ela, inovar não é apenas usar tecnologia, mas gerar inteligência coletiva e potencializar o que é profundamente humano. “Já que a IA tem muitas respostas, será preciso saber perguntar cada vez melhor”, destacou.
Daniela Cachich, presidente da Beyond (divisão da Ambev responsável por bebidas não alcoólicas e alcoólicas não cervejeiras), defendeu que a adoção da IA deve partir das necessidades de consumidores e clientes. “Se a gente olhar as duas pontas, é muito difícil que não dê certo. A tecnologia ampliou a capacidade das pessoas e das empresas de identificar mudanças de comportamento e responder com mais rapidez”, afirmou.
No setor automotivo, Ricardo Bastos, diretor de Relações Institucionais da GWM Brasil e presidente da ABVE, também relacionou a inovação às demandas dos clientes. “Os usuários demandam eletrificação por razões ambientais e econômicas, além de veículos que incorporem novas funções e tecnologias”, disse. Ele destacou que a GWM busca diferenciar o automóvel em um mercado que corre o risco de se tornar commodity.
As empresas também compartilharam exemplos práticos de uso da IA. O Ânima Educação desenvolveu a IARA, ferramenta que apoia a relação entre professores e alunos, sem substituí-la. A Ambev já aplica IA em logística, treinamento de funcionários e desenvolvimento de produtos, utilizando personas sintéticas para testar conceitos. Na GWM, a IA é usada na linha de montagem e no desenvolvimento de veículos, reduzindo o ciclo de lançamento de seis para dois ou três anos.
Daniela Cachich ressaltou que a IA não substitui pessoas, mas amplia seus potenciais e gera valor tangível. “O desafio é retirar profissionais de tarefas repetitivas e direcionar a tecnologia para atividades que gerem valor”, completou. Já Paula Harraca destacou a criatividade como vantagem brasileira, desde que aliada à organização e à compreensão dos problemas de cada setor, como o agronegócio.
O evento também mostrou números que evidenciam o peso da inovação: a Beyond fatura cerca de US$ 2 bilhões anuais, com 30% vindos de produtos lançados nos últimos cinco anos. A Ambev atende aproximadamente 1,2 milhão de pontos de venda, dos quais 90% usam a plataforma digital BEES.
Para o agronegócio, as discussões do painel reforçam a importância de ouvir os agentes da cadeia antes de desenvolver soluções baseadas em IA, garantindo que a tecnologia atenda a necessidades reais e gere valor para o campo.