Embora a soja lidere as exportações do agronegócio brasileiro, os ovos também têm ganhado destaque no mercado internacional. Em agosto de 2026, o Brasil embarcou 2,3 mil toneladas de ovos (in natura e processados), alta de 9,1% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Por trás desses números, há um enorme desafio logístico: transportar um produto frágil por longas distâncias sem danificar a carga. Um ovo quebrado pode comprometer outras unidades e gerar prejuízos financeiros, além de afetar a reputação do produto brasileiro no exterior.
O Chile, principal destino das exportações de ovos em agosto, recebeu 1,213 mil toneladas, a cerca de 3 mil quilômetros do Brasil. Já o Vietnã, segundo maior comprador (275 toneladas), fica a aproximadamente 17 mil quilômetros. Diante dessas distâncias, a cadeia produtiva adota uma série de cuidados desde a coleta até a entrega.
A estrutura que protege o ovo
Edival Veras, presidente do Instituto Ovos Brasil, explica que, apesar da fragilidade natural, a casca do ovo possui uma curvatura que distribui a pressão, especialmente nas extremidades. “A resistência da casca, o posicionamento correto dos ovos, o uso de embalagens adequadas e a estabilidade da carga durante o transporte reduzem significativamente o risco de trincas e quebras”, afirma.
A Granja São José, empresa do setor com mais de 60 anos de atuação em Palmital (SP), recomenda manter a ponta fina do ovo voltada para baixo e a parte arredondada para cima. Essa posição centraliza a gema e a mantém distante da câmara de ar, favorecendo a conservação do conteúdo interno.
Cuidados desde a coleta
A coleta dos ovos pode ser manual ou automatizada. Em ambos os casos, os equipamentos são regulados e os profissionais treinados para manusear os ovos com o mínimo de impacto. A Embrapa, em seu guia técnico, destaca a importância da higiene durante a coleta manual: lavar as mãos antes e depois, realizar a coleta com frequência e usar bandejas plásticas limpas para separar ovos limpos dos sujos.
Após a coleta, os ovos passam por seleção, classificação e embalagem, retirando as unidades trincadas ou impróprias. “O cuidado permanece durante toda a operação: desde a saída do galpão até o processamento, armazenamento, embarque e chegada ao ponto de venda”, complementa Veras.
Embalagem e transporte
A escolha da embalagem é fundamental para proteger os ovos durante o percurso. As caixas de papelão ondulado são uma opção comum, pois sua estrutura ajuda a reduzir impactos, com uma camada interna de reforço que amortece vibrações. No mercado interno, os ovos podem ser transportados em condições controladas; já nas exportações, as exigências variam conforme o destino, podendo incluir transporte refrigerado para manter a qualidade.
Outro fator crítico é a capacitação dos profissionais envolvidos. “A meta de toda a cadeia é manter as perdas o mais próximo de zero”, afirma Veras. Para isso, cada etapa é monitorada, desde a seleção até a acomodação e o transporte da carga.
Diante das distâncias e da delicadeza da casca, a cadeia precisa adotar uma série de cuidados — Foto: Ricardo Benichio