Pressionada por margens menores no segmento industrial e pelo atraso no aumento da mistura do biodiesel ao diesel no país, a 3tentos fechou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 205,88 milhões, queda de 37,8% comparada ao mesmo período do ano passado. O lucro líquido ajustado recuou 86,3%, para R$ 14,37 milhões, conforme balanço divulgado nesta quinta-feira (13/8).
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado ficou em R$ 78,68 milhões no período, montante 64,3% menor que o registrado um ano antes. Já a receita operacional líquida cresceu 31,9%, para R$ 4,7 bilhões.
O avanço da receita foi impulsionado pelo negócio de grãos da 3tentos, cujo faturamento alcançou R$ 2,20 bilhões no segundo trimestre, com alta consistente de 76%. O segmento de insumos faturou R$ 487,3 milhões e cresceu 24,6%. Os negócios de indústria somaram receita de R$ 2,01 bilhões, alta de 4,7% impulsionada pelo incremento recente na capacidade produtiva da empresa.
Por outro lado, houve compressão de margens por queda de preços, sobretudo, do biodiesel devido ao atraso na entrada em vigor da mistura de 16% (B16) do biocombustível ao diesel. Atualmente, o teor da mistura é de 15% (B15).
“O mercado como um todo está sendo penalizado pelo atraso do B16. As usinas estavam preparadas para o aumento de mistura, para atender a essa demanda, e acabou gerando uma oferta maior do que a demanda, com impacto nos preço e nas margens”, explicou o CEO da 3tentos, João Marcelo Dumoncel.
Em entrevista, o executivo lembrou que, nos últimos tempos, a companhia aumentou em quase 60% a capacidade de produção de biodiesel, atenta ao cronograma de expansão da mistura. Em linhas gerais, Dumoncel avalia que o período de abril a junho foi “um trimestre desafiador, aquém do trimestre do ano passado, mas ainda positivo”.
A primeira indústria de etanol da 3tentos iniciou as operações em meados de junho, e no final do trimestre estava operando com 80% de sua capacidade nominal diária. Adicionalmente, foram abertas seis novas lojas, nos Estados de Goiás, Pará, Tocantins e Minas Gerais, ampliando a atuação no varejo e insumos e originação de grãos.
Olhando para frente, o CEO acredita que a companhia está bem preparada para o segundo semestre e deve recompor margens operacionais. A safra recorde de grãos colhida na temporada de 2025/26 faz com que o mercado tenha amplos níveis de matéria-prima disponível para a agroindústria. Além disso, afirmou o executivo, mesmo que o B16 não se concretize — porque ainda está em fase de testes —, o período de entressafra é sazonalmente favorável para os negócios da 3tentos.
Segundo o CEO, a entressafra reduz a oferta de produtos no mercado e tende a auxiliar na recomposição de margens da empresa, no segmento indústria. Em relação ao El Niño, que está ativo e pode ser o mais forte da história, Dumoncel explica que a companhia monitora os efeitos. Porém, ele observa que, historicamente, o Rio Grande do Sul tem produções melhores de soja em anos de El Niño, e a região é chave para as operações da 3tentos.