Lucro líquido da Minerva cai 57% no 2º trimestre de 2026 e soma R$ 196,9 milhões

A Minerva, líder na América do Sul em exportação de carne bovina in natura e derivados, registrou lucro líquido de R$ 196,9 milhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 57% em relação aos R$ 458,3 milhões do mesmo período de 2025. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (12/08).

De acordo com o diretor financeiro, Edison Ticle, a retração decorreu da redução do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA), bem como de despesas financeiras, incluindo uma variação cambial negativa de R$ 35,2 milhões — que não tem efeito prático sobre o caixa da companhia.

O EBITDA da Minerva no segundo trimestre caiu 5,5%, para R$ 1,230 bilhão, ante R$ 1,302 bilhão um ano atrás. Já a receita líquida subiu 1,3%, alcançando R$ 14,1 bilhões, com o abate de 1,434 milhão de cabeças — volume 3,8% inferior ao do mesmo período de 2025. Nos 12 meses encerrados em junho, a receita líquida foi recorde para o período: R$ 57,2 bilhões.

As exportações somaram R$ 8,522 bilhões em receita bruta, equivalentes a 57% do total, impulsionadas por vendas à China, Estados Unidos, Chile e Brasil (cerca de 20% das exportações da Minerva a partir de outros países da América do Sul, especialmente Paraguai). O montante foi 3,5% inferior ao de um ano antes.

A alavancagem da companhia — relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos 12 meses — subiu para 2,9 vezes no segundo trimestre, contra 2,7 vezes no primeiro. O aumento reflete investimentos em capital de giro de aproximadamente R$ 1,1 bilhão para formação de estoques de carne bovina, que atenderão principalmente China e Estados Unidos e serão faturados no segundo semestre.

“Nunca tivemos tantos estoques, seja na água, nos destinos ou nas origens. Estamos prontos para realizar esses estoques no segundo semestre, exatamente como fizemos no ano passado”, afirmou Ticle.

A Minerva manterá as exportações para a China a partir de suas operações na Colômbia, Uruguai e Argentina, mesmo com o preenchimento da cota brasileira sem tarifa adicional. A expectativa é manter o volume exportado ao país em 2026 igual ao de 2025. Além disso, a companhia vê demanda “muito forte” de outros mercados, como os Estados Unidos, que enfrentam escassez de gado e preços elevados da carne. A menor oferta de gado e o aumento de preços na Austrália também favorecem as exportações sul-americanas.

Para a Europa, a Minerva espera continuar exportando a partir de Argentina, Uruguai e Paraguai após o bloco parar de comprar carne bovina do Brasil, previsto para 3 de setembro, segundo o diretor-presidente Fernando Galletti de Queiroz.

A favor da empresa também está a perspectiva de queda dos preços do boi gordo, principal custo. A companhia espera maior oferta de gado confinado no segundo semestre, com grãos mais baratos e preços atrativos de animais para reposição, o que deve arrefecer o preço do boi.

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