O produtor de leite José Santos Souza, de Miguel Calmon (BA), conseguiu um aumento de seis vezes na produtividade de suas vacas leiteiras ao adotar práticas de manejo forrageiro baseadas em conhecimento técnico. Há nove anos, quando começou a buscar capacitação para conviver com a seca, os vizinhos duvidavam. Hoje, eles seguem seus passos.
No início, Souza tinha 14 vacas que produziam 40 litros de leite por dia. Atualmente, com 21 vacas em lactação, a produção diária chega a 441 litros. “Nossa meta para o próximo mês é atingir 500 litros por dia, focando na qualidade e no manejo adequado do rebanho”, planeja.
Com suporte do Projeto Forrageiras (iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, em parceria com a Embrapa e o Instituto CNA), o pecuarista realizou análises de solo para corrigir a acidez, plantou a braquiária capim-paiaguás em áreas degradadas e investiu no cultivo de palma miúda. “Entendemos que o capim-paiaguás era o mais resiliente e produzia mais massa verde. Já a palma foi plantada para suplementar a alimentação nos períodos de maior seca, como reserva estratégica de água”, explica.
Para complementar a alimentação dos animais, Souza recebeu instrução para produzir silagem de milho e capim, aprendendo a vedação correta para maior durabilidade do composto. Com as adequações no manejo e a redução do uso de concentrado, conseguiu diminuir custos e aumentar a produtividade.
Os resultados permitiram investir em novas tecnologias: cerca elétrica, ordenha mecânica, resfriador de leite, painéis solares, trator e escavadeira. Atualmente, a maior parte do leite é vendida para laticínios regionais; uma pequena quantia fica na propriedade para produção de queijos. Souza planeja em breve produzir também requeijão.
A sucessão familiar já começa a se desenhar: o neto José Francisco Sales Nazaré de Souza, 22 anos, cursa técnico em agropecuária no Senar e aplica conhecimentos de inseminação e nutrição na propriedade do avô. “O estudo era visto como meio de sair da roça. Hoje, o conhecimento técnico é o que permite ao jovem permanecer no campo com qualidade de vida e prosperidade”, destaca José Souza.