MBRF acelera sinergias e expansão internacional um ano após fusão de BRF e Marfrig

Há cerca de um ano, a conclusão da fusão entre BRF e Marfrig dava origem à MBRF, uma das maiores companhias de alimentos do Brasil, com receita próxima de R$ 152 bilhões. Agora, a gigante do setor comemora os primeiros 12 meses com resultados que superam as expectativas, mesmo diante de um cenário global desafiador para o comércio de carnes.

No período, o mercado internacional enfrentou a redução da cota chinesa para carne bovina brasileira, os altos e baixos das tarifas americanas e os impactos comerciais do conflito no Oriente Médio. Ainda assim, a MBRF deve atingir antes do prazo o patamar de R$ 1 bilhão em sinergias previsto para 2028.

Sinergias antecipadas e equipes unificadas

Somente no primeiro semestre, a companhia registrou R$ 285 milhões em sinergias, de um total de R$ 608 milhões projetados para 2026. Segundo o diretor-presidente Miguel Gularte, o ritmo acelerado indica que o valor inicial deve ser superado.

“Estamos adiantados e deve ser superado, inclusive. Nos três anos e pouco anteriores à fusão, as duas empresas já tinham trabalhado conjuntamente em vários aspectos, o que fez com que o nosso planejamento pós-fusão tivesse um ramp up muito mais ágil do que num ambiente normal de fusão”, afirmou Gularte, lembrando que a Marfrig já controlava a BRF antes da operação.

No segundo trimestre, a MBRF concluiu a unificação das equipes de vendas de Marfrig e BRF no mercado brasileiro, movimento estratégico para ampliar a oferta cruzada de produtos. Um exemplo é São Paulo, onde a BRF tem presença forte em frango e suínos e agora busca expandir em bovinos. No exterior, a estrutura comercial da Marfrig na Europa e nos Estados Unidos, focada em carne bovina, também abre novas oportunidades.

Oriente Médio e China ganham destaque

No Oriente Médio, a empresa, que atua na região desde os anos 1970 com a marca Sadia, sentiu os efeitos da guerra, mas manteve os planos. A insegurança logística e a alta do petróleo elevaram custos, mas o acordo com o fundo saudita Salic e a manutenção de estoques locais ajudaram a garantir o abastecimento e os resultados.

“Fomos testados nas nossas escolhas. Houve redução do turismo, substituído pelo consumo local e pelo espaço deixado por empresas que decidiram não estar presentes na região”, disse Gularte. A expectativa é que 23 milhões de pessoas se somem à população do Oriente Médio até 2027.

Também está mantido o cronograma da abertura de capital da Sadia Halal, joint venture da MBRF com a HPDC, subsidiária do fundo soberano saudita PIF. A companhia já selecionou os bancos para a operação e discute pontos técnicos com o regulador saudita. O IPO na bolsa de Riad está previsto para meados de 2027 e pode elevar a avaliação da empresa dos atuais 6 vezes para 10 a 11 vezes o EV/Ebitda.

Na região, a MBRF está adicionando cerca de 55 mil toneladas de capacidade produtiva, sendo 15 mil toneladas em Kezad, nos Emirados Árabes, e 40 mil toneladas na nova fábrica de Jeddah, na Arábia Saudita.

Na China, a planta de Henan, adquirida no fim de 2024, opera com 80% da capacidade e deve chegar a 100% ainda neste ano, com ampliação gradual. O objetivo é acompanhar os planos do país de reduzir a dependência externa de alimentos.

Redução de dívida e captação internacional

Internamente, a MBRF busca reduzir a dívida de R$ 45 bilhões registrada ao fim do segundo trimestre. Para isso, iniciou conversas com investidores para uma potencial emissão internacional de títulos de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão, com o objetivo de recomprar papéis com vencimento em 2029 e quitar dívidas de curto prazo.

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