O CEO da MBRF, Miguel Gularte, anunciou que a empresa pretende redirecionar para os Estados Unidos a carne bovina brasileira que originalmente seria exportada para a China. A decisão ocorre em um momento em que a cota de exportação do Brasil para o mercado chinês, sem a tarifa de 55%, está próxima de ser preenchida.
Segundo Gularte, a MBRF não está formando estoques de carne bovina para abastecer a China quando a cota se esgotar, ao contrário do que faz com frango para o Oriente Médio. Em vez disso, a empresa continuará atendendo o mercado chinês com carne proveniente de suas operações no Uruguai e na Argentina. “Não precisamos fazer um estoque de contingência para usar em 2027 com a China. Podemos seguir operando de forma normal, direcionando aos Estados Unidos a carne brasileira e continuar exportando para a China e atendendo nosso portfólio de clientes através do Uruguai e Argentina”, afirmou o executivo.
Suspensão na planta do Uruguai
Na última sexta-feira (14/08), Gularte informou a analistas que a MBRF está trabalhando com o governo uruguaio para reverter a decisão da China de suspender as importações de carne bovina da planta de Tacuarembó. A suspensão foi comunicada pelas autoridades chinesas no dia 6 de agosto, após a detecção de resíduos do medicamento veterinário imidocarb acima do limite permitido em um embarque de carne bovina sem osso produzido na unidade. A Administração Geral de Aduanas da China (GACC) já havia alertado sobre o mesmo problema em maio.
“Esperamos que essa suspensão ocorra em um tempo mais curto. Estamos trabalhando com o governo do Uruguai para que isso seja revertido e, se não acontecer no curto prazo, estamos absolutamente preparados para redirecionar a outras plantas”, disse Gularte.
Mercado de frango e resultados financeiros
No setor de frango, o CEO destacou que o consumo no mercado brasileiro melhorou sequencialmente mês a mês durante o primeiro semestre de 2026. A Sadia Halal, braço da MBRF no Oriente Médio, registrou aumento de 16,6% na receita líquida, para US$ 590 milhões, e dobrou o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, para US$ 95 milhões.
Gularte afirmou que a demanda por proteínas continua resiliente, tanto no mercado interno quanto externo, e que a empresa investiu em produtos de maior valor agregado e preparo prático, que tendem a manter o consumo mesmo em cenários de enfraquecimento do varejo.